Publicado em 9 de dezembro de 2025
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) disponibiliza a Base de Dados para Estudos de Estabilidade Eletromecânica contemplando modelos de planejamento para as usinas eólicas e solares. O trabalho foi fruto de um esforço conjunto conduzido pelas equipes da EPE e do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) ao longo dos anos 2024 e 2025.
A nova base foi concebida em resposta aos desafios identificados após a perturbação de 15 de agosto de 2023, que evidenciou discrepâncias entre o desempenho real das usinas eólicas e solares e os modelos dinâmicos oficialmente utilizados até aquele momento. Essas evidências levaram à necessidade de revisões e ajustes pelo ONS nas bases de dados utilizadas para estudos de estabilidade eletromecânica do Sistema Interligado Nacional (SIN), para reproduzir de forma mais realista o desempenho dessas plantas — especialmente quanto ao suporte dinâmico de potência reativa durante faltas. Como consequência, a contribuição dessas unidades ao suporte reativo em condições de curto-circuito foi reduzida e, em alguns casos, desabilitada.
Cabe destacar que os referidos ajustes resultaram em aumento das restrições elétricas e maior dificuldade de inicialização e convergência das simulações, sobretudo em cenários com elevada participação de geração renovável variável. Tais fatores trouxeram novos desafios ao planejamento da expansão da transmissão, diante da incerteza associada não apenas aos modelos de geração, mas também ao próprio diagnóstico do sistema obtido a partir dessas representações.
Assim, para assegurar a continuidade e a robustez dos estudos de médio e longo prazo, a EPE trabalhou junto ao ONS no desenvolvimento de uma base específica de planejamento, utilizando modelos de referência validados junto a fabricantes, calibrados para refletir o comportamento real das plantas renováveis e compatíveis com os normativos vigentes.
O trabalho utilizou modelos de referência, um eólico e outro fotovoltaico, já validados por fabricantes, que serviram de base para calibração das demais usinas ainda não validadas e com modo falta desabilitado. Esses modelos foram ajustados de modo a assegurar que o desempenho das plantas fosse, no mínimo, compatível com os requisitos técnicos estabelecidos nos Procedimentos de Rede, especialmente quanto à injeção de corrente reativa durante faltas e ao suporte dinâmico de tensão.
Entre os principais benefícios da nova base, destacam-se:
Maior representatividade do comportamento real esperado das usinas renováveis, especialmente quanto ao suporte dinâmico de tensão e à injeção de corrente durante faltas;
Redução de problemas de inicialização e convergência em simulações dinâmicas, permitindo análises mais robustas em cenários com elevada penetração de IBRs;
Aprimoramento da qualidade das recomendações de expansão da transmissão, reduzindo riscos de arrependimento e proporcionando maior segurança às decisões de médio e longo prazo;
Subsídios para avaliações de aprimoramento nos sistemas de controle e conexão das usinas renováveis, de modo a fortalecer a estabilidade do SIN no horizonte futuro.
A base de planejamento já foi aplicada em estudos recentes conduzidos pela EPE, contribuindo diretamente para a definição de expansões estratégicas do sistema — como aquelas analisadas no Estudo de Expansão das Interligações Regionais – Parte III.
Cabe destacar que os modelos de planejamento deverão ser substituídos pelos modelos oficiais validados pelos agentes, à medida que o processo de comissionamento de validação em curso evolua.
A iniciativa reforça o compromisso da EPE com a transparência, a inovação e a modernização das ferramentas utilizadas no planejamento da expansão da transmissão, fortalecendo a capacidade do país de avançar de forma segura, eficiente e resiliente no contexto da transição energética.
Clique aqui para acessar a base de dados.