EPE lança estudo do OBEPE sobre pobreza energética e desigualdades de gênero no Brasil

​Publicado em 27 de março de 2026

No mês em que se celebra o Dia Internacional da Mulher, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) lança, no âmbito do Observatório Brasileiro de Erradicação da Pobreza Energética (OBEPE), um estudo que chama atenção para um desafio ainda pouco visível: a pobreza energética sob a ótica das desigualdades de gênero.

O levantamento mostra que mulheres ainda enfrentam maior risco de serem impactadas pela pobreza energética. Isso se deve, em grande medida, à sobrecarga de trabalho doméstico e de cuidado, ainda majoritariamente assumido por elas. Segundo dados do IBGE, em 2022, as mulheres dedicaram, em média, 9,6 horas a mais por semana a essas atividades do que os homens. Essa desigualdade no uso do tempo se combina a uma desigualdade de renda persistente: mesmo com maior escolaridade média, as mulheres ainda recebem cerca de 79% da renda dos homens. Como consequência, domicílios chefiados por mulheres enfrentam maior dificuldade para arcar com os custos de energia. Em 2018, 29% dos domicílios chefiados por mulheres comprometiam mais de 10% da renda com despesas energéticas, frente a 23,6% dos domicílios chefiados por homens.

O estudo também evidencia que a pobreza energética vai além do acesso à eletricidade, envolvendo limitações no uso de equipamentos e serviços essenciais. A falta de itens como computador pode restringir a inserção das mulheres na economia digital, enquanto a ausência de máquina de lavar intensifica a chamada "pobreza de tempo", ampliando a sobrecarga feminina. Outro ponto de destaque é o uso de biomassa para cozinhar, como lenha e carvão, que ainda expõe milhões de famílias a riscos à saúde. Apesar das restrições econômicas, domicílios chefiados por mulheres recorrem menos a essas fontes, possivelmente por as mulheres terem uma percepção mais aguçada de seus impactos sobre o bem-estar familiar.

Segundo o OBEPE, esses resultados reforçam que a pobreza energética é um fenômeno multidimensional e profundamente marcado por desigualdades estruturais. Neste contexto, o mês das mulheres também é um convite à reflexão sobre a importância de políticas públicas que promovam o acesso equitativo à energia. Programas como o Bolsa Família e o Auxílio Gás, especialmente quando priorizam o pagamento de seus benefícios às mulheres responsáveis pelo domicílio, têm papel fundamental na redução dessas desigualdades.

Garantir energia de qualidade, segura e a preços acessíveis para todos e TODAS não é apenas uma questão de infraestrutura; é também um passo essencial para a promoção da equidade de gênero e o desenvolvimento da transição energética justa e inclusiva no Brasil.

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