Na contagem regressiva para 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP30) em Belém, no Pará, o Diretor de Estudos Econômico-Energéticos e Ambientais da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Thiago Ivanoski, participou, no dia 31 de outubro, do Fórum BandNews FM "Conexão COP30: Tempo de Virada".
O diretor integrou a mesa "Financiando a Transição Energética" ao lado da Secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Governo de São Paulo, Natália Resende; da diretora-presidente da Hydro Rein no Brasil, Marcela Jacob; e do sócio-líder da área de Entrega e Gestão de Ativos de Infraestrutura da KPMG para a América Latina, Claudio Graeff.
Durante o debate, os apresentadores Sheila Magalhães e André Coutinho destacaram que a matriz energética do Brasil é uma das mais renováveis do planeta e que 93% de tudo o que o Brasil produz vem da energia renovável. Dados do Balanço Energético Nacional (BEN) mais recente mostram que as energias renováveis formam 50% da matriz energética e 88,2% da matriz elétrica do País.
Questionado sobre como o Brasil pode avançar ainda mais em energias renováveis, Thiago Ivanoski mencionou a Lei do Combustível do Futuro, que, entre outras medidas, dispõe sobre a mistura de etanol na gasolina e de biodiesel no diesel, e também o Leilão dos Sistemas Isolados 2025, que avançou no percentual exigido de renováveis nos projetos.
Na visão do diretor, a integração entre transmissão e geração de energia é fundamental para contemplar a diversidade do potencial energético brasileiro, assim como "modernizar o mercado, tentar trazer os sinais de mercado livre, eficiência para o mercado, eficiência energética".
"Uma coisa que é fundamental é termos inovação. Seja no modelo de negócios, seja no de financiamento, seja no de concessão, até aplicativos, para podermos ter controle da nossa demanda. Controlando a nossa demanda de maneira adequada, podemos ter menos investimento em tecnologia de ponta e reduzimos o uso de combustíveis fósseis", afirmou Ivanoski.
Entre as tecnologias para o futuro da energia, o diretor citou, como exemplos, o hidrogênio, que pode ser incorporado aos transportes e "fabricado por diversas rotas – não só da eletrólise, mas também da biomassa, do etanol", a captura de carbono e os pequenos reatores nucleares modulares, como energia firme necessária à segurança energética.
"Podemos chegar [aos 100% de energias renováveis], a questão é quando chegar e quanto isso custa. Acelerar demais um processo que vai custar muito para a sociedade pode não valer a pena. Tem um trade-off", opinou.
