São Paulo (SP), 12 de novembro de 2025 — A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) participou nesta quarta-feira do Warm Up Energy Solutions Show, realizado no Cubo Itaú, em São Paulo. O assessor da Presidência da EPE, Gustavo Naciff, integrou o painel “Transição Energética: Realidades e Mitos”, ao lado de Roberto Falco (Accenture), Vinicius Sambuc (DOW) e Denise Leal (Natura), com moderação de Joiris Manoela Dachery, CEO da Comunidade Energês. O debate reuniu especialistas do setor corporativo e do governo para discutir maturidade, viabilidade e desafios da adoção de novas tecnologias energéticas.
Em sua intervenção inicial, Naciff ressaltou os avanços da última década rumo a uma matriz mais limpa, destacando que a renovabilidade da matriz elétrica subiu de 74% para 88%, impulsionada pela expansão da eólica (de 3,5% para 14,1%) e da solar (de quase zero para 9,3%). Mencionou também o salto da geração distribuída, que em 2024 superou 36 GW e 4,8 milhões de unidades consumidoras. Esses resultados, apresentados no novo fact sheet da EPE sobre os dez anos pós-Acordo de Paris, ilustram como políticas públicas e inovação vêm remodelando o sistema energético brasileiro.
Ao abordar as perspectivas futuras, Naciff destacou que o crescimento acelerado das fontes solar e eólica, aliado à expansão dos recursos energéticos distribuídos, impõe novos desafios ao planejamento e à operação do setor. Segundo ele, integrar volumes crescentes de geração variável exige ampliar a flexibilidade do sistema, modernizar processos operativos e promover soluções tecnológicas capazes de garantir segurança e eficiência no Sistema Interligado Nacional.
No debate sobre novas tecnologias, Naciff destacou que a expansão dos recursos energéticos distribuídos está abrindo espaço para aplicações avançadas de armazenamento, como Virtual Power Plants (VPPs), Virtual Power Lines, vehicle-to-grid (V2G) e microrredes — temas detalhados no Caderno de Micro e Minigeração Distribuída e Baterias Atrás do Medidor do PDE 2035. Essas soluções, destacou ele, têm potencial para ampliar a flexibilidade, a confiabilidade e a eficiência da rede elétrica. Naciff ressaltou ainda que a inserção eficiente desses recursos depende de aprimoramentos no desenho de mercado — incluindo novos modelos tarifários, regras para agregadores e maior atuação das distribuidoras como operadoras do sistema de distribuição — agendas que vêm avançando na ANEEL e serão decisivas para habilitar a próxima onda de inovação no setor.
Ao encerrar sua participação, Naciff reforçou que a transição energética exige pragmatismo e visão sistêmica. Para ele, criar condições que favoreçam modelos de negócio inovadores, a integração eficiente dos recursos distribuídos e a modernização das redes será essencial para transformar o potencial técnico do país em resultados concretos para consumidores e empresas.

