Programa de Transição Energética (PTE)

Uma agenda para discutir oportunidades e desafios para o Brasil alcançar a meta de emissões líquidas zero de gases de efeito estufa até 2050

Lançado no segundo semestre de 2020, o Programa de Transição Energética (PTE) consolidou-se como uma iniciativa estratégica para apoiar o Brasil na construção de trajetórias de neutralidade de carbono que combine eficiência econômica, segurança energética e inclusão social.

A parceria foi originalmente estabelecida entre a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI) e o Centro de Economia Energética e Ambiental (Cenergia/COPPE/UFRJ). Na segunda fase, passou a contar também com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE/USP) e a MRTS Consultoria.

O Programa estruturou um fórum independente e multissetorial, configurando uma parceria inovadora e relevante, pautada pela diversidade de atores (com representação de governo, academia e setor privado, representando todos os setores da economia brasileira) para transformar diálogo qualificado e o uso da melhor ciência disponível em cenários, evidências e recomendações práticas para o cumprimento das metas climáticas nacionais, sobretudo a ambição de zerar emissões líquidas de gases de efeito estufa até 2050.

Ao longo de suas duas fases, o PTE contribuiu para explicitar desafios centrais da transição energética brasileira:

  • alinhar ambição climática com crescimento e desenvolvimento econômico, gerando emprego e renda;

  • conciliar descarbonização e competitividade considerando a privilegiada posição do Brasil neste contexto;

  • mobilizar o potencial da bioenergia, articulado ao uso do solo, como diferencial estratégico para a ambição de zerar emissões líquidas de gases de efeito estufa até 2050.

  • preparar o sistema elétrico para uma ainda maior participação de fontes renováveis;

  • preparar a indústria de combustíveis fósseis para transformações alinhadas a compromissos climáticos;

  • reduzir desigualdades regionais por meio de políticas de transição.

Mais do que estudos isolados, o PTE representa uma jornada contínua com visão de longo prazo, conectando modelagem integrada, escuta de stakeholders e construção de roteiros setoriais para acelerar o desenvolvimento do país.

Marcos temporais

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Programa de Transição Energética: Fase 1

Discutindo caminhos para a trajetórias compatíveis com meta de emissões líquidas zero de gases de efeito estufa até 2050

Quais os possíveis caminhos para o Brasil atingir a neutralidade de carbono até 2050 de forma eficiente, segura e competitiva?

Para responder a essa pergunta, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI) desenvolveram, entre 2020 e 2023, a primeira fase do Programa de Transição Energética.

A iniciativa foi organizada em três etapas complementares:

  • Divergência: mapeamento de tendências e incertezas críticas, com base em debates com especialistas, instituições e sociedade.

  • Convergência: diálogo com empresas do setor energético para priorização de incertezas, definição de balizadores e construção das narrativas de três cenários em que o Brasil alcança emissões líquidas zero de GEE até 2050.

  • Quantificação: modelagem e quantificação dos cenários, com modelagem integrada desenvolvida pelo Cenergia (COPPE/UFRJ).

Como parte da fase de Divergência, foram realizados workshops temáticos voltados à escuta e à qualificação do debate:

  1. Geopolítica e Transição Energética (08/04)

  2. Futuro da Indústria Brasileira (26/04)

  3. Transição Energética no pós-pandemia e recuperação econômica (29/04)

  4. O papel das cidades: demandas crescentes x sustentabilidade (05/05)

  5. Alternativas para descarbonização da matriz brasileira (18/05)

  6. O papel da Bioenergia e da Indústria de Óleo e Gás na transição energética

  7. Os desafios dos segmentos de difícil descarbonização

Resultados da Fase 1

Como resultado das etapas de Divergência, Convergência e Quantificação, foram publicados, em fevereiro de 2023:

Caderno Executivo do Programa de Transição Energética

Relatório Final - Programa de Transição Energética

Entre os eventos de divulgação, destacam-se:

Neutralidade de carbono até 2050: Cenários para uma transição eficiente no Brasil – Fevereiro de 2023

Carbon Neutrality 2050: Scenarios For Brazil's Energy Transition – Junho de 2023

Neutralidade de carbono até 2050: Cenários para uma transição eficiente no Brasil – Agosto de 2023

Programa de Transição Energética: Fase 2

Aprofundando cenários e orientando ações para o alcance da meta de emissões líquidas zero de GEE até 2050

Em 2024, teve início a segunda fase do Programa de Transição Energética (PTE). Desenvolvida em parceria entre CEBRI, BID, EPE e BNDES, essa etapa atualiza e aprofunda os cenários de longo prazo da Fase 1, transformando análise técnica em orientações práticas para políticas públicas e decisões de investimento.

Com papel central na coordenação técnica, a EPE fortalece a integração entre modelagem energética, visão de desenvolvimento e diálogo com múltiplos setores, contribuindo para uma transição energeticamente segura, economicamente viável e socialmente inclusiva.

O que a Fase 2 busca responder?

A nova etapa estrutura suas análises em torno de quatro perguntas-chave:

  • Qual a trajetória de custo ótimo para cumprir a NDC e atingir emissões líquidas zero de GEE para a economia como um todo até 2050?

  • O sistema elétrico está preparado para uma maior e mais rápida inserção de renováveis?

  • As trajetórias de descarbonização são compatíveis com crescimento econômico e geração de empregos?

  • As políticas de transição energética podem contribuir para reduzir desigualdades regionais?

Modelagem integrada e visão de longo prazo

As análises da Fase 2 combinam:

  • Cenergia (COPPE/UFRJ): modelagem integrada de cenários energéticos, econômicos e ambientais;

  • FIPE/USP: modelagem de equilíbrio geral computável para avaliação de impactos macroeconômicos;

  • MRTS: modelos especializados para validar expansão e segurança do sistema elétrico.

Três cenários para apoiar decisões estratégicas

  • Transição Brasil (TB): trajetória de custo ótimo para cumprimento integral da NDC, aproveitando vantagens competitivas nacionais, como renováveis, bioenergia e reflorestamento.

  • Transição Alternativa (TA): mesmas metas climáticas, com condicionantes adicionais (precificação de carbono, impactos climáticos no setor elétrico e maior impulso para biocombustíveis e eletrificação).

  • Transição Global (TG): cenário mais ambicioso, alinhado ao limite de aumento da temperatura média em até 1,5°C, com redução de emissões mais profundas e aceleradas.

De cenários a implementação: roadmaps para cinco áreas-chave

O processo de construção dos roadmaps contou com workshops iniciais:

PTE 2 | Workshop 1: Setor elétrico

PTE 2 | Workshop 2: Hidrogênio e Óleo & Gás

PTE 2 | Workshop 3: BECCS, Biometano e Biocombustíveis Avançados

Com base nesses debates e nos cenários desenvolvidos (especialmente o TB), o PTE propõe roadmaps para:

  • AFOLU

  • Energia

  • Indústria

  • Cidades

  • Transporte

As recomendações conectam ambição climática, competitividade e inclusão territorial, oferecendo um roteiro para acelerar a transição energética brasileira com visão de longo prazo e base técnica robusta.

Resultados da Fase 2

Os resultados incluem cenários energéticos e de uso do solo, com quantificação de impactos sobre o PIB, geração de empregos e investimentos, além de roadmaps setoriais que fortalecem a capacidade do país de planejar sua transição de forma competitiva, inclusiva e sustentável.

Relatório Executivo

Apresentação do Evento de Lançamento

Relatório técnico

Caderno Executivo

Em outubro de 2025, foi realizado o evento de lançamento dos resultados, disponível em:

Brasil em Trajetórias Sustentáveis: Caminhos de Competitividade para a Descarbonização