Análise de Conjuntura dos Biocombustíveis 2024

A décima sexta edição da Análise de Conjuntura dos Biocombustíveis apresenta fatos relevantes do mercado de biocombustíveis ocorridos em 2024. O setor sucroenergético apresentou um bom desempenho e houve o crescimento de instalações produtoras de etanol de milho, tanto pela ampliação de capacidade de plantas existentes quanto pela entrada em operação de novas unidades. Somando-se as duas fontes, cana-de-açúcar e milho, a produção de etanol alcançou seu recorde. O consumo dos combustíveis do ciclo Otto chegou ao máximo histórico, refletindo os resultados positivos da economia e recordes de ocupação formal, da massa de rendimento real dos trabalhadores, de redução das desigualdades sociais e da menor taxa de desocupação. A bioeletricidade manteve sua participação na matriz nacional. No setor de biodiesel, o percentual de adição obrigatória à mistura evoluiu para 14% em volume (B14) a partir de março, mantendo-se nesse patamar no restante do ano. O Brasil permaneceu entre os três maiores produtores e consumidores de biodiesel no ranking internacional. O biogás continuou ganhando relevância no cenário nacional, com grande potencial para o setor sucroenergético. O momento favorável ao setor se concretiza em particular para o biometano, tendo sido observado um rápido aumento nas usinas em operação e um conjunto de novas unidades em construção. Dentre as perspectivas emergentes, destaca-se a aplicação de biocombustíveis no setor marítimo e os novos biocombustíveis, diesel verde e combustível sustentável de aviação (SAF), com projetos de unidades sendo vislumbrados no médio prazo.

Em relação ao RenovaBio, em 2024, a Política Nacional de Biocombustíveis completou 5 anos de funcionamento integral.

Destaca-se ainda a sanção da Lei nº 14.993, em 08 de outubro de 2024, denominada como "Lei Combustível do Futuro", que institui importantes diretrizes para o setor de biocombustíveis.

Nesta edição, o artigo final traz uma análise sobre como o aumento de produção de biocombustíveis pode ocorrer sem pressionar novas áreas, por meio de técnicas poupa-terra e uso de pastagens degradadas. Adicionalmente, destaca-se o modelo brasileiro de bioenergia, que além de contribuir para a renovabilidade da matriz energética, também permite o aproveitamento dos coprodutos da indústria de biocombustíveis na alimentação animal, além de estimular a geração de empregos ao longo da cadeia produtiva. Essa sinergia evidencia a importância de uma estratégia integrada que una produção de alimentos e geração de energia renovável, com destaque para a agricultura familiar e políticas públicas como o Selo Biocombustível Social.