REDATA: EPE acelera planejamento da rede para suportar crescimento recorde de Data Centers

​O REDATA (MP 1318/2025), publicado em 17 de setembro de 2025, teve como principal objetivo reduzir a carga tributária na importação e aquisição de equipamentos de TI (como GPUs, switches e racks) para data centers, tornando o processamento de dados no Brasil mais competitivo e incentivando investimentos no setor de economia digital, como computação em nuvem e inteligência artificial.

Passado um pouco mais 60 dias da publicação do REDATA, foi registrado um acréscimo de 6,4 GW em novos projetos de Data Centers com pedido de estudo de mínimo custo global protocolado junto ao Ministério de Minas e Energia (MME) para obtenção de Portaria para conexão na Rede Básica. O montante total de projetos em processo no MME passou de 19,8 GW em setembro de 2025 para 26,2 GW em novembro de 2025.

Embora esses números apresentados sejam um importante indicador do potencial aumento de demanda para esse tipo de carga, é importante registrar que a concretização efetiva desses projetos no horizonte decenal está sujeita a múltiplos condicionantes. No caso dos data centers, não obstante o crescimento seja impulsionado pela digitalização da economia e pelo avanço da inteligência artificial, a maturação dos projetos depende de fatores como disponibilidade de infraestrutura do sistema de transmissão e de telecomunicações, viabilidade econômico-financeira e atendimento às novas regras de garantias para conexão.

Tendo em vista a maior concentração dos projetos de Data Centers no estado de São Paulo, notadamente nas Regiões Metropolitanas de São Paulo e Campinas, constam da Programação de Estudos 2025 diferentes estudos de expansão da transmissão que abrangem essas regiões.

Alguns desses estudos já foram concluídos e culminaram com a recomendação de um total de cerca de R$ 1,6 bilhão em novos investimentos de transmissão para o sistema de São Paulo, que destravam cerca de 4 GW em margem de conexão para novos projetos, seja para conexão na rede de distribuição, seja para conexão diretamente na Rede Básica.

Os estudos para o estado de São Paulo seguem em andamento e a expectativa é de recomendação de novas obras que deverão compor os próximos leilões de 2026, que propiciarão, ainda, um acréscimo de cerca de 5 GW de margem de conexão em todo o estado.

Para o estado do Rio de Janeiro, está prevista, em 2026 a realização de um estudo específico de inserção de grandes cargas, com foco na avaliação das condições elétricas e das alternativas de reforço necessárias para viabilizar a conexão da ordem de 4 GW em novos projetos no estado. Esse estudo analisará a capacidade remanescente das principais subestações e corredores de transmissão, considerando os critérios de confiabilidade e limites de curto-circuito, de forma a identificar soluções eficientes que assegurem o atendimento adequado às novas demandas.

Para o estado do Rio Grande do Sul, tendo em vista o projeto em fase de estudo de Mínimo Custo Global no âmbito do MME, que prevê uma demanda total de até 5 GW, consta da programação de estudos de 2025 o "Estudo Prospectivo para Inserção de Cargas de Data Centers no Estado do RS".

Já para o Nordeste, encontra-se em andamento estudo que deverá aumentar em 4 GW a capacidade existente de conexão de grandes cargas.

Por fim, também é importante destacar que os estudos têm considerado alternativas inovadoras como possibilidade de solução, tais como a implantação de dispositivos DLR (Dinamic Line Rating) para flexibilização de limites operativos de linhas de transmissão existentes conforme as condições ambientais momentâneas, equipamentos com eletrônica de potência (FACTS) para controle de fluxos (SSSC, por exemplo), baterias e recondutoramento de linhas existentes com condutores especiais termorresistentes (HTLS). Tais soluções inovadoras são potencialmente interessantes porque podem propiciar o atendimento de grandes cargas no curto/médio prazo.


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