EPE lança Nota Técnica sobre hidrogênio e biomassa: oportunidades para o Brasil

​Publicado em 23 de junho de 2025

Esta Nota Técnica aborda as relações sinérgicas entre o hidrogênio de baixo carbono e a bioenergia, apresentando oportunidades de fortalecimento mútuo dos segmentos.

O hidrogênio de baixa emissão de carbono e a bioenergia destacam-se como opções de descarbonização altamente alinhadas às potencialidades brasileiras. Em sua nova Nota Técnica "Hidrogênio e Biomassa: Oportunidades para produção e uso de hidrogênio em sistemas de bioenergia", a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) evidencia a relação de fortalecimento mútuo entre esses dois segmentos, destacando arranjos e oportunidades de negócio que se ancorem nas sinergias identificadas.

A Nota Técnica foi apresentada por equipe técnica da Diretoria de Estudos do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (DPG) da EPE, o Consultor Técnico, Rafael Araujo e os Analistas de Pesquisa Energética, Danielle Borher e Rafael Lavrador, em lançamento nesta segunda-feira, 23. Moderado pelo repórter Gabriel Chiappini, da Agência Eixos, o evento foi transmitido ao vivo pelos canais da EPE e da Eixos no YouTube e contou com a participação do Ministério de Minas e Energia (MME), da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), da Associação Brasileira do Biogás e Biometano (Abiogás) e da Associação Brasileira de Hidrogênio (ABH2).

Em seu discurso de abertura, o presidente da EPE, Thiago Prado, referiu-se à biomassa como uma fonte valiosa para a produção de hidrogênio, o qual, por sua vez, agregará valor aos processos da bioenergia. "A transição energética está avançando cada vez mais rápido e, nesse cenário, o hidrogênio de baixa emissão de carbono tem ganhado destaque nos planos de muito países para reduzir os gases de efeito estufa. Temos um trunfo estratégico, que é a biomassa. Ela representa quase 1/3 da nossa oferta interna de energia, e coloca o Brasil com a matriz energética mais limpa entre os países do G20", destacou.

Para o Diretor do Departamento de Biocombustíveis do MME, Marlon Arraes, "essa sinergia entre bioenergia e hidrogênio nos posiciona com vantagens únicas na transição energética global". O diretor do MME também ressaltou "o papel do hidrogênio na produção de biocombustíveis avançados, como o diesel verde, o SAF [Sustainable Aviation Fuel ou Combustível Sustentável de Aviação], os combustíveis sintéticos, todos esses novos produtos que foram introduzidos na legislação brasileira por meio da Lei do Combustível do Futuro".

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Consolidação das rotas

Ao mesmo tempo em que rotas de produção de hidrogênio da biomassa se consolidam como opções tecnicamente viáveis, economicamente competitivas e com vantagens únicas, a expansão e diversificação das cadeias de bioenergia amplificam as aplicações do hidrogênio de baixo carbono, criando uma demanda firme e robusta que pode ajudar a consolidar o desenvolvimento do setor. As rotas podem ainda aproveitar processos de uso ou captura de carbono, podendo gerar energéticos com emissões negativas.

Esta Nota demonstra como as relações entre os dois segmentos possuem potencial para gerar valor agregado, fortalecer ambas as cadeias e reduzir as emissões de gases de efeito estufa do setor energético. Com ela, a EPE busca iluminar o debate para promover uma transição energética alinhada às potencialidades e vantagens competitivas brasileiras, consolidando o país como protagonista no cenário energético nacional e internacional.

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De acordo com a Diretora de Estudos do Petróleo, Gás e Biocombustíveis da EPE, Heloisa Borges, "o Brasil já está na fronteira tecnológica do aproveitamento eficiente de recursos. Esta Nota aponta como novos modelos de negócios podem agregar valor não só à cadeia do hidrogênio, mas também às cadeias agrícolas, industriais, à própria cadeia da bioenergia. Isso gera novos empregos, impulsiona uma economia circular".

A diretora da EPE também situou os estudos conduzidos pela EPE no âmbito do Programa Nacional de Hidrogênio (PNH2): "Destacamos aqui três pilares para materializar essas oportunidades que a EPE tem defendido sistematicamente: o primeiro é o amadurecimento dessas rotas integradas de hidrogênio de baixo carbono; o segundo pilar é a valoração adequada do carbono; e o terceiro é o fomento à inovação industrial."

Já o presidente do Conselho Consultivo da ABH2 e diretor técnico do projeto ABH2 UK Pact, Giovani Machado, reafirmou alinhamento de visões a ABH2, a EPE e o MME: "O grande diferencial do Brasil é agregar stakeholders. O estudo e as apresentações revelam a importância da escolha estratégica, feita pelo Brasil, de um desenho de mercado que se baseia na neutralidade tecnológica, na abertura para diversos modelos de negócios muito bem explorados na Nota Técnica e na promoção de uma competitividade estrutural a partir do aproveitamento dessas vantagens comparativas", disse.

Quanto à ANP, o Chefe de Núcleo de seu Centro de Pesquisas de Análises Tecnológicas (CPT), Alex Medeiros, pontuou que está "trabalhando de forma agnóstica, tentando contemplar todos os processos com a maior abrangência possível para fazer uma regulação transparente e flexível". A agência reguladora tem um grupo de trabalho interno que se debruça sobre os temas específicos do hidrogênio natural geológico, da mistura com gás natural, das autorizações, da segurança operacional e da certificação de emissões.

Por fim, o diretor executivo da Abiogás, Tiago Santovito, complementou: "Quando olhamos nossos estudos para 2030, temos uma perspectiva de 35 milhões de metros cúbicos dia de biometano que será colocado no mercado. O nosso potencial pode chegar até 120 milhões, que é o que muitos rotularam de 'pré-sal caipira'. Hoje, ainda não temos toda a potencialidade de produção do biometano conectada ao sistema, seja ele de transporte ou de distribuição. É fundamental que sejamos conectados o mais rápido possível pelo agente mais econômico."

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