No Congresso Edificações do Futuro, EPE aborda eficiência e alerta para “carbono embutido”

​Publicado em 8 de dezembro de 2025

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A eficiência energética tem uma importante contribuição no processo de transição energética para uma economia de baixo carbono, junto com mudanças comportamentais, fontes renováveis, captura e uso de carbono, e sua melhoria nas edificações foi destacada pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) no painel "Pós-COP: Transição Energética Brasileira e o papel das edificações" do Congresso Edificações do Futuro (CEFX) 2025, promovido pela GHM Solutions no Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (IEE-USP) na última quarta-feira, 3, em São Paulo.

Atualmente, as edificações representam cerca de 20% do consumo de energia e 50% do consumo de eletricidade no Brasil. De acordo com a Superintendente de Estudos Econômicos e Energéticos da EPE, Carla Achão, que integrou o painel, na medida em que se constituem em importante eixo da expansão e transformação das cidades, espera-se que elas ganhem ainda mais relevância, no médio e longo prazo, para atender as necessidades decorrentes do crescimento populacional e desenvolvimento econômico de forma resiliente e sustentável, em prol da melhoria nos padrões de vida.

"No contexto das mudanças climáticas, eventos extremos tendem a aumentar a demanda por serviços energéticos, como o maior uso de ventilador e ar-condicionado, aquecimento de água, além de aumentar riscos estruturais aos edifícios e à infraestrutura urbana", avalia a superintendente, que defende, como medidas de adaptação, "projetos bioclimaticamente adaptados, incluindo uso de estratégias como adaptação de ventilação, sombreamento, iluminação e materiais de construção adequados como vetor de proteção climática".

Descarbonizar a construção

Para Carla Achão, é importante preparar as edificações não apenas em sua etapa operativa, mas também considerar o "carbono embutido" na etapa de construção, uma vez que a construção civil representa cerca de 1/3 das emissões globais de CO₂. "A descarbonização de segmentos energointensivos, tais como cimento, siderurgia e química, passa pela substituição de fontes fósseis de energia, maior uso da eletricidade, substituição de combustíveis por gás natural e biometano, uso de geração distribuída, aquecimento termossolar, captura, armazenamento e uso de carbono, entre outros", ressalta.

Segundo a superintendente, a redução do consumo de energia nas edificações envolve a combinação de estratégias e tecnologias como eletrificação, automação, digitalização, geração distribuída, aquecimento termossolar, entre outras, que levam a um ciclo virtuoso. "Maior capacidade de gerenciamento da demanda por energia, menor consumo nas edificações para um mesmo nível de serviço energético, menor demanda no horário de ponta do sistema, menor necessidade de investimento em expansão de energia e potência", explica, lembrando que "investir em PD&D é fundamental para que tecnologias que hoje ainda não estão disponíveis passem a compor o portfólio do setor nos próximos anos".

Habitações sociais, justiça e inclusão

Carla Achão também reforça a importância de avançar transição energética justa e inclusiva também por meio do planejamento das edificações. "As habitações de interesse social tendem a ter um menor consumo de energia por metro quadrado, com eficiência energética mais baixas se comparadas a habitações de alta renda, e são as mais suscetíveis a eventos extremos, agravando desigualdades sociais, energéticas e climáticas. Ampliar a posse e o uso de equipamentos nos domicílios, bem como o acesso a fontes modernas para cocção, além de adequações estruturais nas moradias são importantes para o desenvolvimento social", pontua.

Sistemas de informação

Moderado por Juliana Ulian, CEO da GHM Solutions e organizadora do CEFX, o painel também contou com a participação de Orestes Marracini Gonçalves, presidente do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS), e Edson Giriboni, Deputado Estadual por São Paulo e coordenador da Frente Parlamentar em Prol da Transição Energética.

Para o presidente da CBCS, um grande desafio é fazer com que as informações sobre alternativas cheguem a todos os envolvidos no processo de construção e gestão. Orestes informou sobre a disponibilidade de sistemas de informações como o CBCS 6 passos, que facilita a escolha de fornecedores, e o Sistema de Informação do Desempenho Ambiental da Construção (Sidac). Desenvolvido pelo CBCS a partir de um convênio com o Ministério das Minas e Energia, o Sidac permite calcular indicadores de desempenho ambiental de produtos de construção com base em dados brasileiros e nos conceitos da Avaliação do Ciclo de Vida (ACV).

Estudos da EPE sobre energia nas edificações


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