Publicado em 18 de fevereiro de 2025
Por meio de sua Diretoria de Estudos do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (DPG), a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) lançou, nesta segunda-feira, 17, a quarta edição do Plano Indicativo de Gasodutos de Transporte (PIG), bem como apresentou os próximos passos do Plano Nacional Integrado das Infraestruturas de Gás Natural e Biometano (PNIIGB). Realizado no escritório central da EPE, no Rio de Janeiro, o evento de lançamento teve transmissão ao vivo e está disponível no canal da EPE no YouTube: @EPEBrasil.
Parte dos estudos de planejamento energético realizados pela EPE no setor de gás natural, o PIG apresenta análises quanto aos gasodutos de transporte que podem vir a ser implementados nos próximos anos no Brasil, de forma indicativa, com base em estudos de oferta e demanda, além de análises técnico-econômicas e socioambientais. De acordo com o Presidente da EPE, Thiago Prado, "a edição de 2024 traz um olhar estratégico para a expansão da infraestrutura de gás natural e biometano, de forma indicativa, com destaque para, além da interiorização do gás natural, a conexão do biometano à malha integrada e a integração gasífera da América do Sul".
Nesta edição do PIG, foram mapeados oito projetos indicativos de gasodutos de transporte (totalizando cerca de 2.300 km de extensão), destacando-se dois projetos abastecidos por biometano e dois por gás argentino. Os investimentos referentes aos projetos estudados totalizam pouco mais de R$ 29 bilhões, sendo que as despesas esperadas dependerão da escolha do traçado a ser construído dentre as opções mapeadas para cada projeto. É estimado também um potencial de geração de mais de 80 mil empregos, com um provável impacto de mais de R$ 16 bilhões no PIB do Brasil (0,15%), com base em todas as alternativas estudadas neste ciclo do plano indicativo.
Já PNIIGB, criado pelo Decreto nº 12.153, de 26 de agosto de 2024, no âmbito do Programa Gás para Empregar, tem como objetivo principal a organização e o planejamento das infraestruturas relacionadas ao setor de gás natural, incluindo seus derivados, biometano e equivalentes, para atender à demanda estimada da sociedade no período de uma década. Os próximos passos para o PNIIGB, a ser elaborado pela EPE, foram detalhados pela Diretora de Estudos do Petróleo, Gás e Biocombustíveis da EPE, Heloisa Borges, que frisou: "Precisamos da participação da sociedade ao longo do processo, que todos os questionamentos e todas as informações relevantes sejam de fato trazidos para podermos construir esse documento."
De acordo com a Diretora, está prevista para abril a abertura de chamada pública para estimar a demanda efetiva por serviços nas infraestruturas dos elos da cadeia do gás e identificar o potencial de oferta e demanda de gás natural e biometano. Ainda em março, a EPE deverá publicar nota técnica e abrir consulta pública sobre a metodologia a ser utilizada na elaboração do PNIIGB.
Em seguida às apresentações, formou-se mesa-redonda com a participação de Heloisa Borges, de Marcello Weydt, Diretor do Departamento de Gás Natural do Ministério de Minas e Energia (MME), de Mariana Cavadinha, Diretora Técnica da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), e de Alfradique, Marcelo Alfradique, Superintendente Adjunto de Petróleo e Gás Natural da EPE.
Biometano para a transição energética
Ao apresentar o PIG, o Analista de Pesquisa Energética Henrique Rangel, da DPG, explicou que o biometano é intercambiável com o gás natural, isto é, pode compartilhar suas infraestruturas logísticas e equipamentos. O biometano é uma fonte de energia renovável, obtida pela purificação do biogás, resultante da decomposição anaeróbica de resíduos orgânicos de biomassa.
Para Thiago Prado, as alternativas de gasoduto de transporte trazidas pelo PIG 2024 podem ajudar o Brasil a alcançar suas metas de redução de emissões de gases do efeito estufa: "O compartilhamento de infraestrutura permite o desenvolvimento de outros mercados, além do biometano, do hidrogênio", pontuou.
Integração energética na América do Sul
Em seu discurso, o Presidente da EPE destacou possibilidades para o comércio no setor gasífero sul-americano: "Como já foi amplamente divulgado, as reservas de shale gas [gás de xisto] de Vaca Muerta [na Argentina] estão entre as maiores do mundo e podem contribuir para a indústria de gás natural brasileira. Essa conjuntura proporciona ao Brasil uma oportunidade de participar, com outros países da América do Sul, da construção de uma rede de gasodutos que permita aproveitar da melhor forma o potencial da região, em consonância com Memorando de Entendimento que já foi assinado pelo Brasil e Argentina durante a última cúpula do G20."
Já Weydt, do MME, manifestou a expectativa de que a importação do gás natural dos vizinhos sul-americanos resulte na queda de preços para os consumidores: "A concorrência estimula a competitividade no nosso País, e é exatamente nisso que o MME está cada vez mais imbuído — desenvolver novas ofertas de gás natural."
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