EPE apresenta dados e promove debate sobre financiamento da transição e inovação energética

Publicado em 11 de março de 2026

O financiamento da transição e inovação energética foi tema de evento realizado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) na última quinta-feira, 5, em seu escritório-central no Rio de Janeiro. A programação incluiu o lançamento de uma base de dados inédita sobre financiamento orientado à transição energética no Brasil — a InvesTE — e a apresentação dos dados atualizados da plataforma inova-e, que mapeia os investimentos de inovação e pesquisa em energia no Brasil, além de mesas-redondas com atores e fomentadores do setor.

Transmissão disponível no YouTube

Abrindo o evento, o presidente da EPE, Thiago Prado, destacou a importância de dados confiáveis para a tomada de boas decisões, que combinem eficiência, segurança, competitividade e justiça: "Transição energética não é só tecnologia: é governança; é decidir prioridades, ritmos e tradeoffs ao longo do tempo. No Plano Nacional de Energia 2055, que ainda se encontra em consulta pública, isso aparece com clareza: quando a governança é forte e abrangente, o país consegue sustentar cenários mais ambiciosos em transição, investimento e inclusão."

Dados do financiamento público

Durante o primeiro bloco, a Analista de Pesquisa Energética Giovanna Pedreira, da Superintendência de Estudos Econômicos e Energéticos (SEE) da EPE, apresentou a plataforma InvesTE, desenvolvida pela EPE, que consiste em uma base consolidada de dados sobre financiamentos públicos e publicamente orientados no setor energético brasileiro entre 2015 e 2024. Esses dados são analisados de forma estruturada no Caderno "Financiamento para a transição energética brasileira".

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Plataforma InvesTE

Na sequência, o Diretor de Estudos Econômico-Energéticos e Ambientais da EPE, Thiago Ivanoski, moderou discussão com a Gerente de Mercado de Capitais da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais, Erika Lacreta, e com o Gerente de Transição Energética do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, Guilherme Arantes.

Para Arantes, a inteligência proporcionada por uma plataforma como a InvesTE é "fundamental para informar adequadamente o posicionamento institucional, as estratégias de funding, para onde temos que dedicar mais atenção". Lacreta, por sua vez, ressaltou a importância da "maior previsibilidade no processo" e da possibilidade de "canalizar investimentos", gerando oportunidades.

Investimentos em inovação

Já o segundo bloco foi dedicado à apresentação do Fact Sheet "Panorama dos investimentos de inovação em energia no Brasil — atualização 2025" pelo Analista de Pesquisa Energética Igor Nascimento, da SEE. A análise revela que, em 2024, os investimentos nessa área totalizaram R$ 10,2 bilhões, o maior valor da série história, e que o crescimento de 57% em relação a 2023 foi liderado pelos investimentos publicamente orientados.

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À apresentação seguiu-se mesa-redonda mediada pela Consultora Técnica Camila Ferraz, da SEE, com a participação da Superintendente de Tecnologia e Meio Ambiente da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), do Superintendente de Inovação e Transição Energética da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Paulo Luciano, e do Superintendente de Transição Energética e Infraestrutura da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Newton Hamatsu.

Durante a mesa, Gondim indicou a necessidade de conhecer os impactos dos investimentos no ambiente para direcionar os programas e incentivos de modo a impulsionar "novos negócios, desenvolvimento, mais riqueza e mais serviços de qualidade, num valor justo", enquanto Luciano ressaltou o papel da inova-e em "conectar todos os atores do ecossistema da energia no país", citando a importância da indústria, da própria Aneel, academia, pequenas empresas e startups na transição energética. Por sua vez, Hamatsu frisou a relevância da "estabilidade" para a Finep, de modo que a "política de ciência, tecnologia e inovação seja mais uma política de estado, não de governo" e que haja "mais coordenação" para otimizar investimentos.

Aplicação dos dados

Por fim, o terceiro bloco, "Da informação à decisão: como usuários aplicam os dados e fortalecem as bases", contou com mesa-redonda dedicada à identificação de sinergias e oportunidades. Mediado pelo Assessor da Presidência da EPE Gustavo Naciff, o debate teve a participação da Chefe da Assessoria Especial de Assuntos Técnicos do Ministério de Minas e Energia (MME), Mariana Espécie, e do presidente do Conselho Consultivo da Associação Brasileira de Hidrogênio (ABH2).

Na visão de Espécie, os dados mostram que o Brasil "desenvolveu um ambiente completamente diferente do que se vê em outros países" e tem se tornado referência internacional: Esse recorte dos últimos 10 anos é fantástico, mostrou realmente que nós estamos avançando de forma estrutural". Fechando o painel, Machado destacou o papel "absolutamente fundamental" da integração e da interdisciplinaridade no encontro entre  "equipes diversas, mesmo que de instituições diferentes, orientado à solução de um desafio" para a obtenção dos melhores resultados possíveis.

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