Publicado em 29 de agosto de 2025
Em cumprimento de sua missão de subsidiar o planejamento, as políticas públicas e o desenvolvimento em energia, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) realiza estudos e pesquisas para fornecer dados e informações relevantes para toda a sociedade, apoiando a tomada de decisão.
Na quarta-feira, 27, a Diretora de Estudos do Petróleo, Gás e Biocombustíveis da EPE, Heloisa Borges levou para o "Energy Day: Caminhos setoriais para uma transição energética justa", dentro da programação da Rio Climate Action Week, durante a Mesa Setorial de Energia, suas perspectivas sobre a importância dos cenários de futuro para a formulação de políticas públicas.
Mais tarde no mesmo dia, o Diretor de Estudos Econômico-Energéticos e Ambientais da EPE, Thiago Ivanoski, participou da mesa "Pobreza Energética na América Latina", em que apresentou o Observatório Brasileiro de Erradicação da Pobreza Energética (Obepe) e o Portal de Acompanhamento e Informações dos Sistemas Isolados (Pasi), ambos plataformas centralizadas de informações desenvolvidas pela EPE.
Futuros possíveis
Como explicou Heloisa Borges durante o evento, o cenário é um futuro possível, uma visão de futuro. "Os futuros são infinitos. Cada decisão que tomamos hoje afeta a trajetória que está sendo desenhada", explicou a diretora Heloisa Borges no evento. "Os cenários de transição energética, o próprio Plano Clima, os cenários do Plano Nacional de Energia ajudam os tomadores de decisão a navegar esse futuro incerto", exemplificou.
De acordo com a diretora, a aferição dos cenários deve ser constante, porque o mundo está em constante mudança, e é preciso "desenhar políticas públicas que deem as indicações corretas, sejam estáveis o suficiente para dar segurança jurídica, mas que tenham mecanismo de adaptação", para que seja possível "ajustar rumos".
Tendências
Entre as tendências identificadas para o setor, Borges destacou o crescimento da demanda de energia, a permanência do petróleo e do gás, a eletrificação das economias e a descarbonização dos transportes, em linha com a manutenção da segurança energética e uma transição energética justa e inclusiva. "Todos os cenários futuros indicam que eu preciso começar a adotar mais políticas de eficiência", pontuou, acrescentando que "os cenários mostram, de forma muito clara, que esse movimento [de transição], se não desenharmos políticas que garantam a inclusão social, tende a ser excludente".
Informar para incluir
Na mesa sobre pobreza energética, o Thiago Ivanoski apresentou o Obepe, que monitora indicadores de pobreza energética a fim de subsidiar a formulação de políticas públicas voltadas à redução da desigualdade e da pobreza energética no Brasil, e o Pasi, que concentra dados de mercado, geográficos e econômicos de todos os Sistemas Isolados com o objetivo de automatizar e agilizar os processos de coleta, análise e divulgação dos dados de planejamento.
Pobreza energética é definida como "situação em que domicílios ou comunidades não têm acesso a uma cesta básica de serviços energéticos ou não têm plenamente satisfeitas suas necessidades energéticas" pela Política Nacional de Transição Energética (PNTE).
Nas palavras do diretor, o Obepe é "basicamente um grande banco de dados que tenta ter uma interatividade fácil", de modo que fique claro "como ele traz as informações, correlaciona dados do IBGE [Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística], da PNAD [Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios], para "trazer números que façam sentido, para que consigamos fazer políticas públicas adequadas".
"Vinte e cinco por cento da população brasileira gasta mais de 10% dos seus recursos monetários com energia. Em alguns estados, esse cenário é ainda mais desafiador, 48% da população que gasta mais de 10% de sua receita com energia", destacou Ivanoski no evento, concluindo que "o Obepe "traz elementos, indicadores importantes para a política pública".
Já os Sistemas Isolados são localidades com serviço público de distribuição de energia elétrica que, em sua configuração normal, não estejam eletricamente conectadas ao Sistema Interligado Nacional (SIN), seja por razões técnicas ou econômicas, a maioria na região amazônica.
