Estudo indica expectativa
de preços moderados com volatilidade persistente em cenário de transição
energética gradual
Publicado em 29 de agosto de 2025
O Ministério de Minas e Energia (MME) e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) publicaram, nesta sexta-feira (29/08/2025), o Caderno de Preços Internacionais do Petróleo e seus Derivados, parte integrante do Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) 2035. O estudo apresenta análises técnicas e projeções para os mercados internacionais de petróleo até o ano de 2035, com objetivo de orientar decisões estratégicas para o setor energético brasileiro.
A análise das trajetórias de preços de petróleo e seus derivados é fundamental para avaliar a competitividade de fontes de energia e tecnologias alternativas, sobretudo em um cenário global de volatilidade geopolítica, no qual o Brasil enfrenta o desafio de equilibrar pressões diplomáticas, diversificar parcerias estratégicas e gerenciar os impactos da instabilidade nos preços das commodities, enquanto busca capitalizar oportunidades para posicionar seu petróleo de baixa intensidade de carbono como ativo energético confiável, reforçando a autonomia estratégica e a resiliência econômica diante de um panorama internacional em transformação.
Os especialistas da EPE preveem um cenário de pressão estrutural de baixa nos preços do petróleo no curto prazo, caracterizado por oferta elevada, estoques acumulados e crescimento moderado da demanda. Sobretudo, em um contexto em que riscos geopolíticos atuam como principais catalisadores de volatilidade nos mercados, incluindo conflitos no Oriente Médio, tensões comerciais entre Estados Unidos e China, e instabilidades em países produtores. O atual protecionismo comercial estadunidense é classificado como um relevante risco geoeconômico, contribuindo para uma fragmentação sistêmica que intensifica as expectativas de volatilidade nos preços internacionais. No horizonte decenal (2026–2035), o estudo projeta que o preço do petróleo Brent deve oscilar entre US$ 70 e US$ 80 por barril em um cenário de transição energética gradual, com volatilidade persistente e riscos de picos temporários em função de choques geopolíticos.
O Caderno mostra ainda que a Opep+ tem se orientado menos pela otimização de preços e mais pela reafirmação de poder estratégico em um cenário energético em transição, enfrentando o complexo desafio de equilibrar alinhamentos geopolíticos, disciplina interna da organização e posicionamento competitivo frente ao shale norte-americano. Paralelamente, no segmento de derivados, o documento projeta manutenção de preços em patamares elevados, porém abaixo da média das últimas duas décadas, com o óleo diesel mantendo prêmio significativo devido à sua importância em setores de difícil descarbonização, enquanto a gasolina apresenta tendência de redução do prêmio ao longo do período, refletindo o avanço da eletrificação em veículos leves de passeio.
A partir desse panorama, a análise destaca que mudanças no parque de refino global estão em andamento, buscando manter a atratividade dos investimentos no setor. Essas transformações consideram a manutenção do consumo energético e o crescimento da demanda para o setor de transformação, onde óleo diesel e nafta preservam relevância, enquanto gasolina, coque e óleo combustível perdem importância relativa. O documento enfatiza, ainda, que países estão diversificando fontes e priorizando recursos domésticos para reduzir vulnerabilidades de segurança energética. A hegemonia chinesa em suprimentos de energia renovável e em cadeias críticas de minerais estratégicos é identificada como fator de redefinição das estratégias geoeconômicas globais, com reflexos diretos na competitividade e formação de preços energéticos. No contexto brasileiro, essa dinâmica adquire particular relevância considerando a posição do país como importante produtor de petróleo offshore e um dos principais produtores de biocombustíveis.
"O Brasil precisa se preparar para um cenário energético caracterizado pela dualidade entre a persistência da demanda por combustíveis fósseis em setores de difícil descarbonização e o avanço das tecnologias de baixo carbono, o que exige estratégias de planejamento que considerem tanto a segurança energética quanto as metas de sustentabilidade", declarou Thiago Prado, presidente da EPE.
O Caderno de Preços Internacionais do Petróleo e seus Derivados está disponível no link Caderno de Preços Internacionais do Petróleo e seus Derivados.