Publicado em 6 de junho de 2025

Mais de 40 representantes oficiais de 20 nações da América Latina e do Caribe se reuniram no escritório-central da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), no Rio de Janeiro, durante a VIII Reunião do Fórum Regional de Planejadores Energéticos (Foreplen) e a II Reunião do Conselho Regional de Planejamento Energético, nos dias 5 e 6 de junho. O evento foi organizado pela Organização Latino-Americana de Energia (Olade) e pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal).
Este encontro, que dá continuidade às diretrizes estabelecidas durante a IX Semana da Energia no Paraguai, tem como objetivo consolidar um espaço técnico permanente para o diálogo regional sobre planejamento energético, resiliência e transição para a sustentabilidade. Durante as sessões de trabalho, os delegados discutiram a convergência dos instrumentos de planejamento, a incorporação efetiva das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), o papel dos combustíveis sustentáveis e a necessidade de fortalecer capacidades institucionais para uma abordagem integrada alinhada às metas climáticas.
O fórum contou com intervenções de figuras de destaque, como o Secretário Nacional de Transição Energética e Planejamento substituto do MME, Leandro Albuquerque; o Chefe de Assessoria Estratégia da Olade, Guido Maiulini; o Diretor da Divisão de Recursos Naturais do Cepal, Martín Abeles; o Coordenador da América Latina e do Caribe do GET.Transform, Antonio Levy; e o presidente da EPE, Thiago Prado.
Em seu discurso de abertura, o presidente da EPE frisou a importância de estabelecer uma agenda que seja contínua, perene e capaz de superar transições de governo. "Um planejamento que consigamos tirar do papel e transformar de forma consistente reduz custos de capital, atrai investidores, alinha interesses da indústria nacional e da internacional", pontuou. Prado mencionou também projetos de cooperação regional: "Temos conduzido, a pedido do Ministério de Minas e Energia, um projeto, em gestação com a Bolívia, de integração elétrica. É uma integração com o Sistema Interligado, mas a gerar injeção de energia em uma outra região do País, integrando sistemas isolados, que consomem diesel, com a rede interligada brasileira."
Sobre o evento, a assessora da Olade Angela Livino destacou que "é uma oportunidade muito rica de trocas de experiências entre os países da América Latina e Caribe. Estamos fazendo a primeira reunião presencial deste Conselho com a participação de aproximadamente 20 países da região e também de organizações relevantes no setor, bancos de financiamento, da Agência Internacional de Energia, da Agência Internacional de Energias Renováveis, tendo uma oportunidade de troca de experiências para reforçar o planejamento e as competências técnicas dos planejadores da região".
Por sua vez, o Chefe de Assessoria Estratégica da Olade, Guido Maiulini, expressou sua expectativa de, com estas reuniões, "compartilhar experiências, mas também gerar uma plataforma regional que possa compartilhar e tornar mais eficientes os programas de cooperação que existem no planejamento energético e produzir uma comunidade prática que realizar um planejamento ao menos coordenado e, esperamos, integrado no futuro".
Temas abordados nas sessões técnicas
Capacidades institucionais e ferramentas de planejamento energético: Apresentação de um diagnóstico regional sobre os sistemas atuais de planejamento e seus níveis de maturidade.
Combustíveis sustentáveis: Especialistas do Brasil, Colômbia e Chile compartilham experiências sobre a inclusão de biocombustíveis e vetores limpos em seus marcos de planejamento.
Resiliência elétrica: São examinadas metodologias para integrar critérios de adaptação a eventos climáticos extremos, com foco na vulnerabilidade das infraestruturas críticas.
Integração das NDCs: Discutem-se estratégias nacionais para conectar os compromissos climáticos às rotas energéticas de longo prazo.
Construção de cenários sub-regionais: Realizam-se mesas técnicas entre países do Cone Sul, Caribe e América Central para desenvolver metodologias comuns de prospectiva energética.
Nesta sexta-feira, representantes do Brasil, Uruguai, Costa Rica, Argentina e do Banco de Desenvolvimento de América Latina (CAF) abordaram a evolução das agendas nacionais de transição energética na América Latina e no Caribe, incluindo eixos de ação e estruturas de governança voltadas para a avaliação de impacto e replicabilidade.
Adicionalmente, houve a apresentação da proposta metodológica da Cepal para a criação de um guia regional com vistas a padronizar políticas energéticas sustentáveis e resilientes. Rafael Poveda e Pablo Carvajal, da Cepal, afirmaram que "a construção de um documento colaborativo pode gerar um marco conceitual moderno, sistemático e prático para a elaboração de planos de transição energética, identificando boas práticas e o potencial de colaboração intrarregional". Em seguida, os participantes se dividiram em grupos de trabalho para contribuir com o Guia para a elaboração de Planos de Transição Energética para os países da América Latina e do Caribe.
Também foram discutidas as experiências de integração das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) no planejamento energético a longo prazo, com a participação da Agência Internacional de Energia (IEA); e os desafios para cenários energéticos de longo prazo na América Latina. O assessor da presidência da EPE, Gustavo Naciff, apresentou as etapas de elaboração do Plano Nacional de Energia (PNE) 2055. Em seguida, os participantes foram divididos em grupos, conforme a região (região andina, Cone Sul e Caribe) para identificar os principais desafios do setor energético nesses locais.
A jornada foi encerrada com a fala de Martín Abeles, Diretor da Divisão de Recursos Naturais da Cepal; Guido Maiulini, Chefe da Assessoria Estratégica da Olade; e Thiago Ivanoski, Diretor de Estudos Econômico Energéticos e Ambientais da EPE. Abeles ressaltou a realização do evento em conjunto com a Olade e a presença de entidades parceiras como o CAF, BID, Irena e IEA. "Uma reunião como esta nos permite potencializar as capacidades colaborativas de cada região", declarou.
Já Thiago Ivanoski relembrou alguns pontos discutidos no evento: a convergência dos instrumentos de planejamento, as metodologias para resiliência climática e segurança energética, o papel estratégico dos combustíveis sustentáveis e o fortalecimento da capacidade técnica e institucional das relações entre os países. "O futuro da energia começa na América Latina", afirmou, parodiando o slogan da EPE.
A reunião resultou na elaboração preliminar de um roteiro regional para harmonizar enfoques de planejamento, fortalecer a cooperação técnica entre os países e aprimorar a resposta do setor energético diante dos compromissos do Acordo de Paris.