EPE publica Análise de Conjuntura dos Biocombustíveis 2024; artigo especial mira COP30

Documento traz tendências, aspectos ligados ao mercado internacional, além de panorama do RenovaBio e levantamento sobre SAF e diesel verde.

Publicado em 22 de agosto de 2025

Empresa de Pesquisa Energética (EPE) publica, nesta sexta-feira, 22, a Nota Técnica Análise de Conjuntura dos Biocombustíveis 2024, documento que apresenta uma síntese dos eventos mais relevantes no mercado de combustíveis renováveis no ano de referência. Esta 16ª edição é a primeira desde a sanção, em outubro de 2024, da Lei do Combustível do Futuro. A partir do resgate da história dos biocombustíveis no Brasil, é possível analisar tendências e projetar cenários de energia para o País, objeto das atividades da EPE.

As mais importantes tendências de curto prazo são expostas no documento, com destaque para a evolução dos indicadores de etanol, biodiesel, bioeletricidade da cana-de-açúcar e biogás. Aspectos ligados ao mercado internacional de biocombustíveis, além de um panorama sobre o andamento do RenovaBio e um levantamento sobre novos biocombustíveis no mercado brasileiro, como os Combustíveis Sustentável de Aviação (SAF) e o diesel verde, são pontos que também compõem a publicação.

Adicionalmente, cada edição busca trazer um artigo sobre tema de relevância na área levando em conta o contexto do momento. Neste ano, com a proximidade da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30) e discussões de temática ambiental e social, fez-se uma análise do "Potencial de expansão da produção de biocombustíveis e impactos associados".

Caso de sucesso

Em seu discurso na abertura do evento de lançamento, realizado na última quarta-feira, 13, e transmitido ao vivo pelo canal da EPE no YouTube, o presidente da empresa, Thiago Prado, destacou o papel central que os biocombustíveis desempenham na matriz energética brasileira: "Trata-se de uma fonte que, além de renovável, carrega uma trajetória profundamente conectada com o desenvolvimento sustentável do nosso país. Isso não só se representa dentro do Plano Decenal de Expansão de Energia, que atualizamos anualmente, mas veremos na próxima edição do nosso Plano Nacional de Energia 2055, que se encontra em elaboração e deve ser entregue ao Ministério de Minas e Energia neste segundo semestre."

Para Marlon Arraes, Diretor do Departamento de Biocombustíveis da Secretaria Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (SNPGB) do Ministério de Minas e Energia (MME), a Nota Técnica "constitui-se como uma ferramenta de planejamento que traduz dados em conhecimento e esse conhecimento em capacidade de ação". Como exemplo, o diretor do MME mencionou a informação, disponível no documento, de que, "em 2024, o uso da bioenergia no Brasil evitou a emissão de cerca de 94 milhões de toneladas de CO2. Esse é o maior valor da série histórica iniciada em 2006".

Por sua vez, o Diretor-Geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Bruno Caselli, compartilhou um panorama da atuação da agência no que diz respeito aos biocombustíveis, "marcada por avanços importantes, desde a realização de leilões de biodiesel e aprimoramento de suas especificações de qualidade, até o desenvolvimento do mercado de etanol, com o RenovaBio [Política Nacional de Biocombustíveis]".

Já no encerramento do evento, a Diretora de Estudos do Petróleo, Gás e Biocombustíveis da EPE, Heloisa Borges, descreveu o Brasil como uma "potência" em bioenergia: "Temos uma matriz energética diversificada, políticas públicas estruturantes, que vêm dando resultados concretos, e uma indústria inovadora."

Convidada a oferecer suas considerações sobre o conteúdo apresentado, Glaucia Souza, Professora Titular do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP), ponderou que "o Brasil é exemplo de caso de sucesso do uso de biocombustíveis para descarbonização do transporte. O relatório detalha bastante bem as políticas que foram sendo desenvolvidas, e o Brasil pode contribuir para as metas globais de descarbonização através da divulgação também desse arcabouço de políticas que permitem a expansão da bioenergia com sinergias para outros setores e para o desenvolvimento sustentável".

Neste ano, as analistas Marina Ribeiro e Paula Barbosa, da Superintendência de Derivados de Petróleo e Biocombustíveis (SDB), apresentaram o texto principal, e o analista Luciano Oliveira, o artigo.

Desafios, oportunidades e potencial

Já durante a sessão de perguntas e respostas, diante de questionamento sobre os principais desafios e oportunidades para o crescimento sustentável dos biocombustíveis no Brasil nos próximos anos, Paula citou, entre outros exemplos, o desafio da concorrência por área agrícola, que poderá ser mitigado pela recuperação de áreas degradadas, e a oportunidade que representa o crescimento acelerado do etanol de milho.

Respondendo pergunta sobre o potencial do biometano, Luciano Oliveira explicou que "no Brasil, o grande potencial de biometano está relacionado ao aproveitamento de resíduos, seja a vinhaça da produção de etanol no setor sucroenergético, sejam os estrumes de animais confinados, e nos resíduos urbanos, e é possível ainda aproveitar parte da palha agrícola que está espalhada pelo campo".


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