EPE e ONS tratam de justiça energética e inovação em workshop preparatório para a COP 30

Publicado em 26 de setembro de 2025

Na quarta-feira, dia 24, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) participou do Workshop ONS-EPE junto com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) como parte do pré-COP30, uma série de reuniões com o objetivo de preparar o país para a conferência do clima. O evento foi realizado no escritório central do ONS, no Rio de Janeiro.

A EPE foi representada em duas mesas diferentes, com Carla Achão, Superintendente de Estudos Econômico-Energéticos e Ambientais da EPE, às 10h, e André Makishi, Analista de Pesquisa Energética da Superintendência de Geração de Energia (SGR), e Daniel José Tavares de Souza, Consultor Técnico da Superintendência de Transmissão de Energia (STE), às 11h.

Mesa 1 – Justiça Climática e Transição Energética Justa

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Na primeira mesa, "Justiça Climática e Transição Energética Justa", a Diretora da DEA falou sobre o projeto Tecendo Conexões, feito em conjunto com o Ministério de Minas e Energia (MME) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Para contextualizar o projeto, Carla começou explicando o valor público da EPE e os principais produtos de planejamento da empresa, o Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) e o Plano Nacional de Energia (PNE).

Achão também explicou que o projeto visa monitorar a pobreza energética e erradicá-la. O conceito, segundo ela, é "a situação em que domicílios ou comunidades não têm acesso a uma cesta básica de serviços energéticos ou não têm plenamente satisfeitas suas necessidades energéticas", e sua erradicação é um dos desafios do PNE 2055 e do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 7 (ODS7).

Continuando com a exposição, a superintendente da SEE apresentou os objetivos e a metodologia por trás do projeto Tecendo Conexões; entre eles, coleta e tratamento de dados e definição de indicadores. Para encerrar sua participação, ela mostrou como navegar pelo site do Observatório Brasileiro de Erradicação da Pobreza Energética (OBEPE) para colher dados e ver quais os indicadores definidos, além de acesso às análises feitas pelo Tecendo Conexões.

Mesa 2 – Inovação Digital e Energia: Datacenters e Armazenamento

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Na mesa das 11h, "Inovação Digital e Energia: Datacenters e Armazenamento", Daniel começou sua apresentação explanando as motivações para os estudos feitos; entre eles, o desafio da entrada de consumidores livres de grande porte (data centers e hidrogênio). Depois, falou sobre a outorga de empreendimentos e o cronograma geral para leilões de transmissão.

Daniel também citou o que apelidou de "o problema do ovo e da galinha": o investimento em plantas de grandes cargas precisa de garantias de conexão, mas o investimento em conexão requer a confirmação do investimento nessas plantas de grandes cargas. A saída encontrada pela EPE, segundo o especialista, são os estudos prospectivos de expansão da transmissão, que permitem antecipar soluções e colocá-las no plano de obras indicativas do planejamento para que essas soluções possam seguir naturalmente a outorga no momento em que os pedidos de acesso surjam.

Em relação aos estudos prospectivos dos data centers, o Consultor Técnico deu informações sobre os projetos protocolados para acesso à Rede Básica junto ao MME e mostrou a previsão de demanda de energia para os data centers até 2038, que pode chegar até 19,8 GW. A maior parte dessa demanda é esperada em São Paulo, que tem 33 processos de conexão à Rede Básica contra os 29 em outros estados, somando 62 processos ao total em todo o país.

Ele demonstrou insights, oportunidades e uma provocação: a projeção dos data centers é um desafio mundial; enquanto uns pensam que as projeções são infladas e que os projetos não vão se concretizar, outros dizem que elas, na verdade, estão subestimadas, já que o uso da IA se popularizaria cada vez mais, criando uma grande demanda por data centers.

Nas suas considerações finais, o especialista mencionou que grandes projetos utilizarão centenas de MW e que a infraestrutura já presente em um local tem se mostrado fator relevante na decisão dos investidores e que, por isso, os investimentos estão concentrados na região metropolitana de São Paulo e de Campinas.

Falou, também, que a infraestrutura é robusta, mas que não foi planejada para conexão de grandes montantes de carga e terminou dizendo que é preciso maior previsibilidade de local e de montantes sobre os futuros projetos de data centers para que a efetividade dos estudos da EPE seja maior.

Em sua fala, André Makishi comentou sobre a conjuntura e a visão do sistema elétrico interligado, apontados os desafios esperados. Para ele, o armazenamento de energia é cada vez mais atrativo para a expansão de geração renovável e para a transição energética.

Para encerrar, ele mencionou os desafios imediatos para o planejamento do sistema elétrico interligado e reforçou as expectativas positivas para a inserção do recurso de armazenamento, destacando o Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP).


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