Publicado em 24 de outubro de 2025
Em palestra, a superintendente Carla Achão ressaltou a alta eficiência na geração de eletricidade no Brasil e o potencial da indústria para a redução das desigualdades.
No contexto da transição, a eficiência é "capaz de entregar resultados imediatos enquanto novas tecnologias amadurecem" e "revela todo o seu potencial transformador" no setor industrial, segundo artigo elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) para o documento "Jornada Firjan pela Transição Energética", lançado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) na quinta-feira, 23, durante o primeiro dia do evento Diálogos da Transição.
A publicação da Firjan reúne contribuições de diversos agentes de mercado que vivenciam os desafios da transição energética no país, como a Associação Brasileira para Desenvolvimento de Atividades Nucleares (Abdan), a Associação Brasileira de Energia Nuclear (Aben), a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), a Associação da Indústria de Cogeração de Energia (Cogen), Enel, Engie, Light, Mattos Filho, Petrobras e Transpetro, além da EPE.
Ganhos de eficiência
Intitulado "Rotas tecnológicas e o papel dos ganhos de eficiência na transição energética", o artigo da EPE aponta possibilidades de ganhos no uso final, nos transportes e nas edificações, destacando, contudo, o potencial de eficientização da indústria, trazendo como exemplos o setor de cimento, a indústria química, a siderurgia e a produção de papel e celulose.
"A combinação entre os mecanismos de eficientização existentes no país como a implementação de políticas incidentes sobre a indústria brasileira, assim como ações autônomas das indústrias, ligadas a aspectos como retrofit de instalações, novas unidades industriais, mais modernas e eficientes energeticamente (greenfield), e ações de gestão de uso de energia, entre outros, são algumas das possíveis contribuições da eficiência energética", indica o artigo.
Matriz energética brasileira. Fonte: Relatório Final do BEN 2025.
Energias renováveis na matriz brasileira
No encerramento do primeiro dia de evento, a Superintendente de Estudos Econômicos e Energéticos da EPE, Carla Achão, apresentou gráficos e informações pertinentes às discussões, como o
Balanço Energético Nacional (BEN) 2025, o
Anuário Estatístico de Energia Elétrica, o
Sistema de Informações para a Energia (SIEnergia), o
Atlas da Eficiência Energética Brasil, o
Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) e os Cenários Energéticos do
Plano Nacional de Energia (PNE) 2055.
De acordo com o BEN 2025, divulgado pela EPE, em 2024 as fontes de energia renovável corresponderam a 50% da oferta total de energia, avanço significativo diante do patamar de 39,4% registrado em 2014, conforme apresentado no BEN de 2015. Para a Firjan, "este desempenho evidencia a crescente predominância destas fontes e o fortalecimento de tecnologias de menor intensidade carbônica, posicionando o país como uma das lideranças às metas globais de descarbonização".
Segundo Carla Achão, a transição energética não é novidade no Brasil. "Dados do Balanço Energético Nacional da EPE mostram que não é de hoje que o país vem evoluindo na transição energética para uma economia de baixo carbono, em resposta à eventos internos e externos, oportunizando o desenvolvimento de soluções nacionais, novas tecnologias e alternativas energéticas", afirmou a superintendente, citando como exemplos o Programa Nacional do Álcool (Proálcool) e as grandes hidrelétricas para substituir as importações de petróleo durante os choques do petróleo da década de 1970 e o Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel) para promover o uso eficiente da energia e combater seu desperdício em 1985.
"Ao longo desse tempo, ampliamos e diversificamos nossa matriz energética, com participação significativa de renováveis em relação a outros países do mundo, o que muito nos orgulha!", comemorou Carla Achão, destacando que, quando considerada apenas a matriz elétrica, a participação das renováveis sobe para cerca de 90%: "Graças à alta proporção de fontes não térmicas, mais especificamente, hidráulica, eólica e solar, o Brasil apresenta altas taxas de eficiência na geração de eletricidade, ultrapassando 70% de eficiência."
Energias renováveis na indústria
Já em temos setoriais, representando 32% do consumo nacional de energia, a indústria também apresenta importante grau de renovabilidade, 65%, e desempenha papel relevante para o avanço da transição energética. Para Carla Achão, "na medida em que gera emprego e renda, desenvolvimento tecnológico, [a indústria] pode contribuir para a redução das desigualdades regionais e locais, para que a transição energética seja justa e inclusiva".