Publicado em 27 de maio de 2026
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) lança, no âmbito do Observatório Brasileiro de Erradicação da Pobreza Energética (OBEPE), o fact sheet “Pobreza energética sob a ótica das desigualdades raciais", que evidencia como a pobreza energética no Brasil possui forte recorte racial e reflete desigualdades históricas e estruturais ainda presentes no país.
Segundo dados do IBGE analisados pelo estudo, mais de 70% da população em situação de pobreza e insegurança alimentar no Brasil é composta por pessoas pretas ou pardas. Além disso, em 2024, pessoas brancas apresentavam renda média cerca de 70% superior à de pessoas pretas e pardas, ampliando as diferenças no acesso a serviços energéticos de qualidade e na capacidade de arcar com os custos da energia.
Neste contexto, o estudo mostra que pessoas pretas e pardas enfrentam maior vulnerabilidade à pobreza energética em diferentes dimensões. Os dados revelam que 1 em cada 3 domicílios chefiados por pessoas pretas ou pardas destina mais de 10% da renda ao pagamento de despesas energéticas, percentual significativamente superior ao observado entre domicílios chefiados por pessoas brancas. O estudo destaca ainda que a pobreza energética vai além do acesso à eletricidade, envolvendo também restrições no acesso a equipamentos e serviços essenciais. Domicílios chefiados por pessoas pretas ou pardas apresentam maior privação de equipamentos como computadores e máquinas de lavar roupa, além de maior uso de lenha e carvão para cozinhar, condição associada a riscos à saúde e à insegurança alimentar.
Segundo o OBEPE, os resultados reforçam que a pobreza energética é um fenômeno multidimensional associado às desigualdades estruturais do país. Nesse contexto, o estudo chama atenção para a necessidade de superar essas desigualdades em meio à construção de uma transição energética mais justa e inclusiva no Brasil.
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