Workshop da EPE aborda planejamento da transmissão de energia para conectar grandes cargas

​Publicado em 1º de julho de 2026

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) realizou ontem, 30 de junho, o workshop “Planejando a Rede de Transmissão para Integração de Cargas Eletrointensivas no SIN", no qual foram apresentados resultados de estudos recentes sobre o assunto, então postos em discussão com agentes do setor elétrico. O workshop foi transmitido ao vivo pelo canal da EPE no YouTube.

Os estudos apresentados abrangem o estado de São Paulo e alguns dos estados da região Nordeste, em especial Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte. Nessas regiões estão os primeiros grandes potenciais de carga com perfil eletrointensivo, como data centers e as plantas de produção de hidrogênio por eletrólise, cuja conexão ao sistema exige reforços e ampliações na rede de transmissão.

De acordo com o Diretor de Estudos de Energia Elétrica da EPE, Reinaldo Garcia, ao passo que os projetos analisados representam “uma grande oportunidade para o desenvolvimento econômico, a inovação e a atração de investimentos para o Brasil", também significam um novo desafio — o de “preparar o sistema elétrico para atender essas novas demandas com segurança, com eficiência e racionalidade econômica, considerando que muitos desses projetos ainda possuem elevado grau de incerteza".

Para mitigar os riscos, como destacou a Secretária Nacional de Transição Energética substituta, Lorena Perim, os estudos, elaborados pela EPE sob as diretrizes do Ministério de Minas e Energia, foram estruturados em etapas: na primeira, os investimentos são comuns “a qualquer que seja o montante viabilizado dessas conexões", e na segunda, “vão sendo realizados à medida que as conexões forem sendo solicitadas".

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Quem vem primeiro, o investimento ou a conexão? Analogia do ovo e da galinha é usada
para explicar incerteza relativa às grandes cargas.

Reforço da rede em SP

Durante o primeiro bloco de apresentações do workshop, o Consultor Técnico Daniel Souza, da Superintendência de Transmissão de Energia (STE) da EPE, contextualizou os estudos, trouxe dados sobre os processos de conexão de cargas eletrointensivas à rede e falou sobre os dilemas do planejamento.

Segundo dados publicados no Caderno de Transmissão de Energia Elétrica do Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) 2055, os processos de conexão junto ao MME somam 54,2 gigawatts (GW) até 2038 — um volume expressivo, equivalente a aproximadamente metade do pico de carga atualmente observado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Desse montante, cerca de 8,8 GW concentram-se no estado de São Paulo.

Em atenção a essa demanda crescente, a EPE tem realizado estudos prospectivos como os Relatórios R1 de “Reforço do Sistema da Região Central do Estado de São Paulo", publicados em 2024 e 2025, que foram detalhados em seguida pelo Analista de Pesquisa Energética Fabio Rocha, da STE.

Por fim, o Analista de Pesquisa Energética André Cassino, da Superintendência de Meio Ambiente (SMA), apresentou as análises de viabilidade socioambiental das obras recomendadas para a área de São Paulo, onde o adensamento urbano se impõe como um dos principais desafios para a implantação de novas linhas de transmissão e subestações.

Conexões no Nordeste

O segundo bloco expositivo foi dedicado ao Estudo Prospectivo para Inserção de Cargas Eletrointensivas na Região Nordeste, de 2026. Segundo dados do PDE 2035, na região foi registrado o interesse de 21 projetos da cadeia de hidrogênio, totalizando 26,7 GW de potência instalada até 2038, além de 30 projetos de data centers, um montante de 8,3 GW no mesmo período.

A sequência de apresentações, conduzidas pelos analistas Marcelo Henriques, Luiz Lorentz e Yan Rangel, da STE, e Carina Siniscalchi, da SMA, contemplou análises locacionais, econômicas, dinâmicas e socioambientais, bem como detalhou o escalonamento das obras. Entre as alternativas analisadas, a vencedora inclui empreendimentos no Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte.

Estão em andamento na EPE mais dois estudos prospectivos para inserção de cargas eletrointensivas — um no Rio Grande do Sul, com conclusão prevista para agosto deste ano, e outro no Rio de Janeiro, previsto para 2027.

Após cada bloco de apresentações, foram realizadas sessões de perguntas e respostas, abertas a contribuições do público do evento.

Temporadas de Acesso

Encerrando o workshop, a Coordenadora-Geral de Planejamento da Transmissão do MME, Thais Araujo, apresentou a Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão (PNAST), instituída como resposta ao avanço das fontes renováveis, especialmente eólica e solar, e ao crescimento acelerado do Ambiente de Contratação Livre (ACL).

No âmbito da PNAST, as Temporadas de Acesso são uma etapa preliminar para os leilões de energia e de reserva de capacidade que utiliza a margem de escoamento como um dos principais filtros de seleção. Os resultados obtidos em cada temporada servem de subsídio para que a EPE identifique as reais necessidades de expansão da transmissão, orientando os estudos para o Plano de Outorgas de Transmissão de Energia Elétrica (POTEE). ​
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