Publicado em 28 de setembro de 2026
O segundo dia de ROG.e contou com a participação do presidente da EPE, Thiago Prado, na mesa “Implementação das políticas públicas e regulamentos para diversidade energética e soluções de baixo carbono no Brasil". Um dos maiores eventos sobre óleo e gás da América Latina, a ROG.e foi realizada de 21 a 24 de setembro, no Riocentro, na Barra da Tijuca. A EPE participou da feira com um estande, apresentação de mais de 20 trabalhos e debates sobre o setor.
Em sua participação, Prado dividiu o painel com o Subsecretário de Implementação da Sec. Extraordinária do Mercado de Carbono do Ministério da Fazenda, Thiago Barral, e com o Diretor Executivo de Desenvolvimento de Negócios da Prumo Logística, Mauro Andrade. A discussão foi moderada pela fundadora e CEO da New Gaia Strategies Investments, Raphaella Gomes.

O presidente da EPE destacou que o PDE 2035 e o PNE 2055 apontam uma matriz com bastante espaço para biometano, SAF, hidrogênio, captura e estocagem de carbono, entre outros. “Ambos os planos põem o hidrogênio como uma rota confirmada no longuíssimo prazo e com políticas concretas já aprovadas no Congresso. Temos o ProBioQAV (Programa Nacional de Combustível Sustentável de Aviação), a Lei do Combustível do Futuro, a questão dos mandatos de biometano e o Plano Nacional Integrado das Infraestruturas de Gás e Biometano (PNIIGB) que também tenta organizar um pouco esse mercado em relação à oferta e a demanda", enumerou. “Em comparação a todas as outras opções de recursos e aproveitamentos energéticos, eu colocaria a captura e estocagem de carbono como aquele aluno na sala que necessita de um pouquinho mais de atenção", avaliou.
Em relação ao carbono biogênico, originado de matérias-primas renováveis, como a biomassa e os biocombustíveis, Prado enxerga uma “grande oportunidade". “Você pode ter combustíveis renováveis com pegadas negativas de carbono", afirmou. Neste sentido, ele destacou a necessidade de maior aproximação com os estados que possuem a maior produção de biocombustíveis.
Thiago Prado falou ainda sobre a importância fundamental de avançar no detalhamento regulatório e sobre a atuação do Brasil na Global Coalition for Energy Planning (Coalizão Global para o Planejamento Energético), criada no âmbito do G20, e na Olade (Organização Latino-Americana de Energia). “A maior mensagem que o Brasil pode passar é de diversificação, mas principalmente de vocacionamento. A transição energética tem que respeitar as vocações. Esse desenho de mercado tem que ser suficientemente capaz de representar não só o Brasil como outros países para que isso faça sentido para todo mundo e não vire uma discussão de rotas tecnológicas".

Plano Nacional Integrado das Infraestruturas de Gás e Biometano (PNIIGB)
O Plano Nacional Integrado das Infraestruturas de Gás e Biometano (PNIIGB) foi tema da apresentação do analista de pesquisa energética Henrique Rangel, no painel Planejamento, Governança e Organização Institucional do Mercado. Ele apresentou o plano, a metodologia utilizada em sua elaboração, abordando etapas como os estudos de oferta e demanda, seleção de projetos, análise socioambiental, dimensionamento e Capex e estimativa de emprego e renda.

A edição do PNIIGB apontou a necessidade de 15 projetos, com investimentos da ordem de R$ 35 bilhões e 2.200 km de dutos. “A análise integrada dos diversos elos do setor de gás natural demonstra que a expansão coordenada pode reduzir gargalos estruturais", concluiu. Rangel também destacou que a inclusão do biometano no planejamento reforça a convergência entre o setor e as metas nacionais de baixo carbono.

A programação do segundo dia de ROG.e também contou com a participação do Superintendente Adjunto de Petróleo e Gás, Marcelo Alfradique, que mediou a mesa Distribuição, Regulação e Mercado Livre de Gás. Já no palco técnico, o analista de pesquisa energética Ederaldo Godoy apresentou trabalho sobre o estado da arte do BioGL no Brasil, com foco nas principais rotas tecnológicas e os insumos. O BioGL é sustentável e drop-in ao Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), ou seja, quimicamente idêntico, sem necessidade de alteração nos equipamentos de queima, prometendo ser a molécula verde com potencial para ser adicionada na descarbonização do GLP.


No estande da EPE, o analista de pesquisa energética Igor Veneroso apresentou o panorama dos investimentos em inovação no Brasil, enquanto a analista Pamela Vilela falou sobre o Zoneamento Nacional de Recursos de Óleo e Gás (ZNMT) 2023-2025.

