Primeiro caderno temático do Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) 2036 detalha a transição nos setores de consumo, a expansão de novas cargas e aprofunda análises do Relatório Síntese
Publicado em 27 de outubro de 2026
O Ministério de Minas e Energia (MME) e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) divulgaram, nesta terça-feira (27/10), o Caderno de Demanda de Energia do Plano Decenal de Expansão de Energia 2036 (PDE 2036). A publicação aponta que o consumo final de energia no Brasil deverá crescer, em média, 1,8% ao ano entre 2026 e 2036, passando de 302 milhões para 362 milhões de toneladas equivalentes de petróleo (Mtep). No mesmo período, o consumo total de eletricidade deverá alcançar 979 terawatts-hora (TWh), com expansão média de 3,4% ao ano.
Primeiro dos dez cadernos temáticos previstos para esta edição do plano, o documento aprofunda as análises do Relatório Síntese, divulgado no início de outubro, e detalha as perspectivas de evolução do consumo de energia por fonte e setor, além dos fatores que influenciam a demanda e as transformações esperadas nos usos finais de energia. Os outros nove cadernos temáticos serão disponibilizados nos próximos dias.
Eletricidade ganha espaço e consumo se transforma
As projeções indicam mudanças na composição do consumo energético brasileiro ao longo do horizonte decenal. Embora os derivados de petróleo continuem representando uma parcela relevante da demanda, sua participação relativa deverá diminuir, enquanto a eletricidade e o gás natural ganharão espaço. Indústria e transportes permanecerão entre os principais setores consumidores, respondendo, em conjunto, por cerca de 62% do consumo final de energia em 2036.
Na eletricidade, o crescimento projetado reflete a expansão da atividade econômica, a eletrificação de usos finais e o surgimento de novas demandas. O consumo total, que considera diferentes formas de suprimento, incluindo a autoprodução de eletricidade não injetada na rede, deverá crescer quase 40% ao longo do horizonte decenal, alcançando 979 TWh em 2036.
O caderno também detalha a evolução do consumo atendido pela rede elétrica, que deverá passar de 620 TWh, em 2026, para 878 TWh, em 2036. As projeções destacam, ainda, o avanço de grandes cargas, como data centers, eletromobilidade e plantas de produção de hidrogênio por eletrólise. Juntas, essas atividades deverão consumir cerca de 47 TWh em 2036, mais de dez vezes a demanda estimada para 2026.
Setores consumidores apresentam dinâmicas distintas
A publicação examina as particularidades dos setores industrial, de edificações, agropecuário e de transportes, identificando os fatores econômicos, tecnológicos e estruturais que condicionam a evolução da demanda.
Na indústria, a análise decompõe os efeitos da expansão da atividade econômica, das mudanças na estrutura produtiva e da intensidade energética sobre o consumo. O estudo também acompanha a participação das diferentes fontes utilizadas pelo setor e as perspectivas de evolução de sua matriz energética.
Nas edificações, que compreendem os segmentos residencial, comercial e de serviços públicos, a eletricidade continuará sendo a principal fonte energética. O crescimento do consumo está associado, entre outros fatores, à maior posse de equipamentos de climatização, à expansão da área construída e à eletrificação de usos finais. O caderno também destaca o avanço dos data centers, cuja demanda por eletricidade deverá atingir 30 TWh em 2036, contribuindo para o crescimento do consumo elétrico no segmento de serviços.
No setor agropecuário, o diesel permanecerá como a principal fonte de energia, enquanto a eletricidade manterá participação relevante, especialmente no funcionamento de sistemas de irrigação e de equipamentos utilizados na produção.
Em transportes, o estudo detalha as projeções por modo de transporte e fonte energética. Entre as tendências identificadas estão o avanço dos biocombustíveis, a expansão da eletrificação dos veículos leves e o aumento gradual da participação de combustíveis sustentáveis de aviação e de gás natural e biometano no atendimento de segmentos específicos.
Consulta Pública do PDE 2036 segue aberta até 6 de novembro
A Consulta Pública do PDE 2036 está aberta e recebe contribuições até 6 de novembro de 2026. Interessados podem consultar os estudos e encaminhar sugestões para o aprimoramento do planejamento energético nacional. As contribuições à consulta podem ser enviadas pela página de Consultas Públicas do MME ou pela plataforma Brasil Participativo.
O Caderno de Demanda de Energia e os demais materiais do plano podem ser acessados na página do PDE 2036 no site da EPE.
Sobre o PDE
Elaborado anualmente pela EPE, sob diretrizes do MME, o Plano Decenal de Expansão de Energia é um dos principais instrumentos do planejamento energético nacional. Com caráter indicativo e horizonte de dez anos, o PDE apresenta, a partir de um Cenário de Referência, perspectivas para a evolução da oferta e da demanda de energia e serve de subsídio para as decisões de agentes públicos e privados.