PDE 2036 projeta contribuição de 276 TWh da eficiência e dos recursos energéticos distribuídos em 2036

Caderno de Eficiência Energética e Recursos Energéticos Distribuídos analisa as perspectivas para os ganhos de eficiência energética, a expansão da geração distribuída e da autoprodução, o armazenamento em baterias e a resposta da demanda, além dos desafios para a integração desses recursos ao sistema elétrico

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Publicado em 4 de novembro de2026

O Ministério de Minas e Energia (MME) e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) divulgaram, nesta quarta-feira (4/11), o Caderno de Eficiência Energética e Recursos Energéticos Distribuídos do Plano Decenal de Expansão de Energia 2036 (PDE 2036). O estudo projeta que a eficiência energética e os recursos energéticos distribuídos (RED) terão contribuição equivalente a 276 terawatts-hora (TWh) para o atendimento do consumo de eletricidade em 2036, considerando a eficiência elétrica, a autoprodução não injetada na rede e a micro e minigeração distribuída (MMGD).

Ou seja, parte da eletricidade que seria necessária para abastecer residências, comércios e indústrias será economizada ou produzida pelos próprios consumidores, reduzindo a necessidade de geração pelas grandes usinas e de fornecimento pela rede elétrica convencional.

Eficiência energética evita 53 TWh de consumo de eletricidade em 2036

O estudo projeta ganhos de 6% na eficiência energética do País entre 2026 e 2036, medidos pelo índice ODEX Brasil, com destaque para os setores de transportes (8%) e residencial (7%).

Na eletricidade, a demanda evitada deverá chegar a 53 TWh em 2036, volume equivalente, aproximadamente, à geração da parcela brasileira da usina hidrelétrica (UHE) Itaipu somada à da UHE Xingó. Índices mínimos de eficiência para equipamentos e edificações, etiquetagem e programas como o Selo Procel estão entre os instrumentos que contribuem para esse resultado.

O caderno destaca também a expansão dos data centers, que deverão se consolidar como um importante vetor de crescimento do consumo de eletricidade do segmento comércio e de serviços. Ao mesmo tempo, avanços na eficiência dos equipamentos de tecnologia da informação e dos sistemas de climatização poderão contribuir para conter o crescimento dessa demanda.

MMGD poderá alcançar 91,7 GW de capacidade instalada

Em 2025, a MMGD já representava 7,0% da geração total de eletricidade do Brasil e cerca de 17,7% do consumo do mercado cativo. No cenário de referência do PDE 2036, a capacidade instalada deverá alcançar 91,7 gigawatts (GW) em 2036, com 13,5 milhões de adotantes e investimentos estimados de R$ 95,9 bilhões entre 2027 e 2036.

A fonte solar fotovoltaica deverá manter o protagonismo, respondendo por 99% da capacidade instalada no horizonte decenal. O estudo aponta, porém, oportunidades para a diversificação tecnológica, com fontes como hidráulica, eólica e biomassa.

A autoprodução não injetada na rede, que atualmente responde por cerca de 12% do consumo de eletricidade do País, deverá crescer aproximadamente 2% ao ano, alcançando 101,1 TWh em 2036.

Baterias e resposta da demanda ampliam a flexibilidade do sistema

O caderno avalia a atratividade econômica das baterias atrás do medidor em três aplicações. Os resultados indicam que a viabilidade ainda está concentrada em nichos específicos, com maior potencial econômico na gestão do consumo de consumidores do Grupo A4 Verde.

A publicação também apresenta as iniciativas de resposta da demanda (RD) por preços e por incentivos no Brasil e destaca os aprimoramentos em curso para a efetiva adoção da RD como instrumento de flexibilidade no SIN. Para a RD por incentivos, a EPE estima uma contribuição efetiva de 4,0 GW em 2036, cerca de onze vezes o volume de 344 megawatts (MW) contratado no 3º Mecanismo Competitivo do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), realizado em julho de 2026.

Modernização do setor elétrico traz oportunidades e desafios para os RED

O estudo destaca que a modernização do setor elétrico poderá criar novas oportunidades para a expansão dos RED no horizonte decenal. A abertura do mercado livre para consumidores de baixa tensão, a evolução das modalidades tarifárias e a definição de mecanismos para a valoração dos serviços prestados por esses recursos poderão estimular novos modelos de negócio e ampliar a participação dos consumidores no setor elétrico. Por ainda estarem em processo de definição, esses temas representam incertezas para a trajetória de expansão projetada.

Do ponto de vista operacional, a coordenação dos recursos distribuídos será um dos principais desafios. A expansão da MMGD fotovoltaica intensifica o fenômeno conhecido como “Curva do Pato” e, nesse contexto, a agregação dos RED em microrredes e usinas virtuais, associada à digitalização das redes de distribuição e a mecanismos de gerenciamento, será importante para coordenar esses recursos e aproveitar suas complementaridades, ampliando a flexibilidade e a eficiência da operação do sistema.

Na eficiência energética, o estudo aponta oportunidades de avanço relacionadas à adoção de índices mínimos de eficiência para novas construções, à elevação dos padrões de eficiência de equipamentos e motores industriais e à integração da eficiência energética ao planejamento urbano. Essas iniciativas contribuem para reduzir a necessidade de expansão da oferta de energia e favorecer um suprimento elétrico mais eficiente e seguro.

Consulta Pública do PDE 2036

A Consulta Pública do PDE 2036 está aberta até 6 de novembro de 2026. Interessados podem consultar os estudos e encaminhar contribuições para o aprimoramento do planejamento energético nacional. As contribuições podem ser enviadas pela página de Consultas Públicas do MME ou pela plataforma Brasil Participativo. 

O Caderno de Eficiência Energética e Recursos Energéticos Distribuídos e os demais materiais do plano podem ser acessados na página do PDE 2036 no site da EPE. 

Sobre o PDE

Elaborado anualmente pela EPE, sob diretrizes do MME, o Plano Decenal de Expansão de Energia é um dos principais instrumentos do planejamento energético nacional. Com caráter indicativo e horizonte de dez anos, o PDE apresenta, a partir de um Cenário de Referência, perspectivas para a evolução da oferta e da demanda de energia e serve de subsídio para as decisões de agentes públicos e privados.

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