Publicado em 2 de setembro de 2025

Abertura oficial. Foto: CCEE.
"Nós vivemos um momento de transformações profundas do setor elétrico", afirmou o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Thiago Prado, durante a abertura oficial do 1º Fórum de Análise Setorial da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).
Ao passo que avanços tecnológicos, mudanças regulatórias e a ampliação das fontes renováveis de energia têm moldado o setor, tendências como a abertura gradual do mercado livre, o protagonismo do consumidor e a digitalização dos processos marcam uma nova fase — e estiveram em debate no evento realizado nesta terça-feira, 2, em São Paulo.
Leilões, armazenamento e segurança energética foram tema de painel integrado pelo Diretor de Estudos de Energia Elétrica da EPE, Reinaldo Garcia. Por sua vez, o Diretor de Gestão Corporativa da EPE, Carlos Cabral, moderou painel sobre curtailment e geração distribuída.
Diversidade, tecnologia e abertura
Para o presidente da EPE, a maior virtude do Brasil, neste contexto de transição, é a diversidade de fontes de energia em nossa matriz. "É imperativo que mantenhamos essa diversidade", enfatizou. Por outro lado, impõem-se os desafios de integrar novas tecnologias e de estruturar um mercado cada vez mais aberto.
Medidas provisórias
No que diz respeito à competitividade de mercado, Thiago Prado considerou os mecanismos introduzidos pelas medidas provisórias nº 1.300, nº 1.304 e nº 1.307 como adequados para um "melhor ajuste fiscal e uma melhor sinalização paulatina, com previsibilidade para o mercado" e defendeu a redução dos subsídios, que "propagam distorções nos modelos de expansão que a EPE utiliza".
Segurança com capacidade
O presidente da EPE sublinhou a importância do mercado de capacidade para a garantia da segurança energética, mencionando as consultas públicas abertas pelo Ministério de Minas e Energia (MME) sobre o Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP): "Este é um certame de segurança. Não caiamos na tragédia dos comuns. Não dá para abrirmos mão deste leilão de reserva de capacidade que é tão importante para o suprimento até 2030 do nosso Brasil."
Flexibilidade
Por fim, Prado destacou a necessidade de armazenamento para atender aos requisitos de flexibilidade da rede elétrica e defendeu a modernização das usinas hidrelétricas: "O Brasil tem 100 GW de hidroeletricidade instalada, 56 GW têm mais de 25 anos em operação no Brasil, e o perfil de operação dessas usinas mudou ao longo do tempo, elas são acionadas com maior frequência. É um grande desafio para o legislador trazer um desenho que faça esses investimentos saírem do papel."