EPE publica Nota Técnica sobre a inserção potencial de motorizações alternativas em caminhões e ônibus no Brasil

O Brasil tem registrado nos últimos anos um processo de aceleração da difusão de motorizações alternativas na frota de veículos pesados, em especial do elétrico a bateria e da propulsão a gás natural/biometano. A promoção dessas tecnologias intensifica-se a partir da maior mobilização de empresas em estratégias de sustentabilidade e em compromissos de redução de emissões de carbono, assim como pela reorientação de formuladores de políticas públicas e de governos locais em prol de políticas de mobilidade urbana sustentável.

Nesse contexto, este estudo visou identificar possíveis trajetórias de inserção do elétrico a bateria e da propulsão a gás natural/biometano no mercado brasileiro de caminhões e ônibus até 2050, avaliando os seus impactos sobre frota circulante, demanda energética e emissões de gases de efeito estufa.

Para tanto, realizou-se uma análise baseada em exercícios de cenarização, na qual três trajetórias distintas de inserção de motorizações alternativas foram desenvolvidas. A primeira trajetória é a de referência, enquanto as outras duas consideram contextos favoráveis à penetração acelerada das motorizações alternativas, sendo uma positiva ao elétrico a bateria e outra positiva ao gás natural/biometano.

Essas trajetórias não representam expectativas, metas ou compromissos oficiais do governo brasileiro, tampouco refletem orientações ou objetivos estratégicos para políticas públicas no País. Tratam-se, apenas, de exercícios destinados à melhor compreensão dos caminhos possíveis, bem como para estimular o debate sobre as melhores soluções para tornar o transporte de cargas e de passageiros mais eficiente e sustentável no Brasil.

Os resultados do estudo indicam que a cada quatro caminhões e ônibus novos vendidos no Brasil em 2050, um será equipado com motorização alternativa, totalizando uma frota circulante de aproximadamente 530 mil veículos, sendo 479 mil elétricos e 52 mil a gás natural/biometano.

Apesar dos avanços expressivos na penetração de propulsões alternativas nas próximas décadas, o estudo prevê que o motor de combustão interna a diesel seguirá como a tecnologia majoritária em veículos pesados no Brasil.

Na trajetória favorável à inserção do elétrico a bateria, essa propulsão poderá alcançar metade das vendas de caminhões e ônibus novos em 2050, ultrapassando 1,2 milhão de veículos na frota circulante. Essa inserção demandaria quase 70 TWh de energia elétrica (equivalente a 12% do consumo final do Brasil em 2022), permitindo uma redução de 14 bilhões de litros no consumo de óleo diesel (volume semelhante às importações atuais desse produto).

No contexto favorável ao gás natural/biometano, essa propulsão poderá atingir até 15% do licenciamento de veículos pesados novos em 2050, totalizando mais de 360 mil veículos na frota e correspondendo a uma demanda anual de 6,5 bilhões m³ de gás (equivalente ao volume médio importado pelo Gasbol em 2022).

As motorizações alternativas poderão conferir um potencial relevante para a redução de emissões de carbono de caminhões e ônibus no Brasil. A inserção dos elétricos a bateria poderá contribuir com uma diminuição de até 20% nas emissões, enquanto a inserção de biometano poderá reduzir em até 5% nas trajetórias avaliadas.

Por fim, o estudo conclui que a consolidação do potencial de inserção de motorizações alternativas no mercado brasileiro de caminhões e ônibus dependerá de um contexto de ampla convergência tecnológica, econômica e política em prol dessas tecnologias.

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