EPE apresenta Webinar das hidrelétricas reversíveis como solução para desafios da transição energética

​A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) promoveu nesta segunda-feira, 27 de janeiro, o webinar Usinas Reversíveis e Hidrelétricas no Brasil, com transmissão ao vivo pelo canal da empresa no YouTube (@EPEBrasil). Durante o evento, foram lançados dois produtos: o Caderno de Estudos "Um olhar para as usinas hidrelétricas (UHE) – Desafios e oportunidades para o aproveitamento hidrelétrico brasileiro" e o "Roadmap de Usinas Hidrelétricas Reversíveis (UHR) – Perspectivas e caminhos para a inserção das usinas reversíveis no Brasil".

Elaborado pela Diretoria de Estudos Econômicos-Energéticos e Ambientais (DEA) da EPE, o Caderno traz um panorama sobre as hidrelétricas no Brasil, abordando seus benefícios, características e participação na matriz elétrica do País.  Além disso, o estudo apresenta o potencial hidrelétrico brasileiro inventariado e a situação dos estudos de viabilidade das UHEs. Nessa linha, são discutidos os desafios para a implantação de novos projetos hidrelétricos sob a ótica socioambiental, econômica e regulatória. Por fim, são apontadas oportunidades interessantes para as hidrelétricas contribuírem com o sistema, como a implantação de UHRs, a repotenciação e a ampliação das UHEs existentes e a atribuição de novos papéis na operação.

Já o Roadmap, preparado pela Diretoria de Estudos de Energia Elétrica (DEE), consiste em um estudo estratégico que analisa as oportunidades e desafios para a inserção das hidrelétricas reversíveis no Brasil. O documento aborda aspectos técnicos, regulatórios, econômicos e socioambientais, destacando o papel das UHRs na transição energética e na integração de fontes renováveis variáveis.

Em seu discurso durante a abertura do webinar, Thiago Barral, Secretário Nacional de Transição Energética e Planejamento do Ministério de Minas e Energia (MME), ao qual a EPE é vinculada, ressaltou a importância da hidroeletricidade para a segurança energética do Brasil em tempos de transição: "A nossa matriz elétrica tem evoluído de uma maneira muito rápida, absorvendo as fontes eólica e solar, que são muito variáveis no curto prazo, e nossa matriz sempre se fiou muito na flexibilidade das hidrelétricas para que pudesse acomodar, com segurança e baixo custo, essas duas fontes", pontuou.

Por sua vez, o Presidente da EPE, Thiago Prado, referiu-se aos desafios de implantação das reversíveis: "Para que essa solução se torne uma realidade, precisamos superar desafios regulatórios, econômicos e técnicos, mas, na minha opinião, principalmente estabelecer modelos de remuneração que viabilizem esses investimentos. É uma classe de ativos que gera empregos diretos e indiretos numa cadeia de produção sabidamente de domínio da indústria nacional. Ela é resiliente, posto que temos ativos no mundo com mais de 90 anos de operação comercial e, portanto, proporcionam um posicionamento estratégico de longo prazo", frisou.

Encerrando o evento, o Diretor de Estudos Econômico-Energéticos e Ambientais da EPE, Thiago Ivanoski, mediou debate com representantes do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel) do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IE/UFRJ, da Associação Brasileira das Empresas Geradoras de Energia Elétrica (Abrage), da Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia Elétrica (Apine) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O que são as Usinas Hidrelétricas Reversíveis (UHR)?

As UHR são como uma solução eficiente, pouco poluente e que apresenta baixo custo de produção, amplamente utilizada no mundo. Esses projetos permitem que, em horas de menor demanda, quando há excesso de produção de energia, essa seja utilizada para o bombeamento e armazenada para uso durante os horários de pico de consumo. Por suas características as reversíveis proporcionam maior confiabilidade e flexibilidade para o sistema elétrico.

Embora a tecnologia exista desde o século XIX, o crescimento mais significativo das UHR ocorreu a partir da década de 1970, quando a geração nuclear somada a outras fontes inflexíveis, como as termelétricas a carvão, tornou favorável a implantação das reversíveis como forma de acrescentar aos sistemas elétricos capacidade de atendimento à ponta, além de possibilitar os serviços ancilares (isto é, auxiliares), como o controle de frequência e o autorrestabelecimento.

Já no século XXI, são introduzidas na matriz elétrica fontes de energia renovável, como a eólica e a solar, marcadas pela alta variabilidade no curto prazo, bem como pela limitada previsibilidade de seus recursos primários. Essas condições transformaram o papel e a forma de operação das UHR existentes, apontadas como meio importante para garantir a segurança e qualidade do fornecimento de eletricidade na transição energética.

Assim como as usinas hidrelétricas convencionais, para algumas UHR os reservatórios podem ter usos exógenos, ou seja, que vão além daqueles relacionados ao setor elétrico. Esses incluem o abastecimento de água para o consumo humano, o controle de cheias, a irrigação, o suporte a sistemas de tração elétrica e a melhoria das condições de navegação e recreação.

Caderno de Estudos “Um olhar para as usinashidrelétricas - Desafios e oportunidades para o aproveitamentohidrelétrico brasileiro”

Caderno de Estudos “Roadmap Usinas Hidrelétricas Reversíveis (UHR) - Perspectivas e caminhos para a inserção das usinas reversíveis no Brasil”

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