Eletromobilidade avança no país e PDE 2035 projeta expansão da eletrificação no transporte rodoviário

Estudo mostra crescimento do licenciamento, expansão da infraestrutura de recarga e avanço projetado para veículos leves, ônibus e caminhões eletrificados até 2035

O Ministério de Minas e Energia (MME) e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) publicaram o Caderno de Eletromobilidade do PDE 2035, que apresenta um panorama detalhado da evolução da eletrificação no transporte rodoviário brasileiro. O documento mostra que o País seguirá avançando na adoção de veículos eletrificados, impulsionada por maior oferta de modelos, redução de preços, avanço tecnológico e políticas públicas de renovação de frota.

As vendas de eletrificados cresceram 89% em 2024, com um salto de 219% nos veículos 100% elétricos (BEVs). A redução do diferencial de preços em relação aos veículos a combustão interna e a chegada de novos modelos importados ampliaram o acesso, enquanto a infraestrutura de recarga segue em expansão, embora ainda concentrada, com 30% dos eletropostos localizados em São Paulo.

Em 2035, as projeções indicam que 23% dos licenciamentos de veículos leves serão eletrificados, totalizando 784 mil unidades, e a frota eletrificada para este segmento atingirá 3,7 milhões de veículos, com a manutenção da tecnologia flex fuel como predominante (76%) no País. A eletrificação também avança em nichos como comerciais leves voltados ao last-mile delivery, influenciada pelo comércio eletrônico e por estratégias corporativas de descarbonização.

No transporte público, o Novo PAC tem contribuído para acelerar a renovação da frota. Apenas na seleção de 2023, foram destinados R$ 7,3 bilhões para a aquisição de 2.296 ônibus elétricos, além de veículos Euro VI (R$ 2,6 bilhões) e sobre trilhos (R$ 0,7 bilhões). O PDE projeta que, em 2035, o Brasil terá 48,5 mil ônibus eletrificados, sendo 43,5 mil puramente elétricos.

Entre os caminhões, a eletrificação cresce principalmente em modelos semileves e leves, com 19% dos licenciamentos (elétricos a bateria - BEV) previstos para cada uma dessas categorias em 2035. Ao final do período, a frota de caminhões (BEV e híbridos) deve alcançar 43 mil unidades, enquanto a tecnologia de caminhões a diesel permanece dominante entre pesados e semipesados.

A demanda de eletricidade associada à eletromobilidade deve aumentar de 627 GWh em 2025 para 7,8 TWh em 2035, reforçando a importância da consideração dessa carga no planejamento e no desenho tarifário do setor elétrico. O estudo também destaca desafios globais quanto à disponibilidade de minerais estratégicos para baterias, em razão da forte concentração geográfica da produção.

Acesse aqui o Caderno de Eletromobilidade e consulte também os demais publicados nesse link