Resenha Mensal: O consumo de eletricidade no Brasil em abril de 2021 apresentou avanço de 13,8% em relação ao mesmo mês de 2020

O consumo nacional de eletricidade foi de 42.311 GWh em abril de 2021, elevação de 13,8% em relação a abril de 2020. O consumo total segue em patamares pré-pandêmicos desde setembro de 2020.  Em abril, todas as classes apresentaram taxas expressivas de expansão, com destaque para a indústria. O efeito base baixa alavancou as taxas de crescimento, levando o consumo total a alcançar a maior variação mensal de toda a série histórica, desde 2004. O consumo acumulado em 12 meses totalizou 484.472 GWh, expansão de 1,2% comparada ao período anterior. Todas as regiões geográficas do Brasil apresentaram alta no consumo de energia elétrica em abril de 2021: Sudeste (+15,1%), Sul (+14,5%), Norte (+13,8%), Nordeste (+13,5%) e Centro-Oeste (+5,0%).

A classe industrial (+25,1%) apresentou o maior consumo em abril desde 2015. O efeito base baixa também alavancou a taxa na classe, a maior da série histórica, pois abril de 2020 foi o mês mais agudo da crise da COVID-19 para o consumo de eletricidade na indústria. A classe segue apresentado taxas positivas desde agosto do ano passado. Todas as regiões geográficas expandiram seu consumo industrial, tendo o Sudeste (+1.554 GWh) respondido por mais da metade da expansão, em especial São Paulo, enquanto o Nordeste (+31,7%) foi quem apresentou a maior taxa de crescimento. A exceção do Centro-Oeste (+9,5%), demais regiões elevaram seus consumos com taxas superiores à 20%. Nos ramos da indústria, observa-se expansão do consumo disseminada entre nove dos dez segmentos mais eletrointensivos. Puxaram a expansão: metalurgia (+699 GWh), impulsionada por siderurgia e metais não-ferrosos (alumínio primário); e produtos minerais não metálicos (+412 GWh), sob a influência do aumento das vendas de cimento. Entretanto, o setor automotivo (+81,8%) apresentou a maior taxa de expansão do consumo no período. 

A classe residencial (+7,9%) anotou expansão no consumo de eletricidade em abril. O ciclo maior de faturamento de algumas distribuidoras e a continuidade de parte da população em distanciamento social, por conta da pandemia da COVID-19, influenciaram no aumento da taxa da classe no mês. Todas as regiões tiveram elevação do consumo na classe, com as taxas variando de 11,8% (Sudeste) a 3,9% (Centro-Oeste). Expurgando o efeito do ciclo maior de faturamento, a taxa da região Sudeste seria de 10,4% e no Centro-Oeste seria de 2,8%. No Sudeste, os estados do Rio de Janeiro (+15,9%) e São Paulo (+11,8%) foram os maiores destaques da região. Na região Sul (+5,7%), o clima mais seco nos estados do Paraná (+8,2%) e Santa Catarina (+6,5%) contribuiu para o resultado. No Norte (+4,8%) apesar do bom desempenho, os estados do Amazonas (-3,9%) e Acre (-1,1%) reduziram a taxa de consumo, pois ainda estão sob o efeito da inundação na região.

A classe comercial (+12,4%) apresentou um salto significativo na taxa de consumo no mês de abril de 2021 e o segundo resultado positivo, depois da queda apresentada durante todo o ano de 2020. Como o mês de abril de 2020 foi o pior desempenho para o setor de comércio e serviços do País, devido à pandemia da COVID-19, o efeito base baixa justifica em grande parte o avanço do consumo de energia da classe.  Todas as regiões registraram crescimento no consumo da classe no mês de abril. A região Nordeste (+15,7%) foi o maior destaque no consumo. Seguida pelo Norte (+15,3%), Sul (+14,0%), Sudeste (+11,5%) e Centro-Oeste (+6,7%). No Nordeste, todos os estados contribuíram para o avanço da taxa de consumo da região. No Sul, os estados de Santa Catarina (+26,7%) e Paraná (+15,5%) foram os que puxaram o crescimento do consumo. Na região Sudeste, Rio de Janeiro (+20,0%), Espírito Santo (16,6%) e São Paulo (+11,3%) impactaram o desempenho da região.

Quanto às modalidades de contratação de energia, o mercado livre apresentou crescimento de 28,9% no consumo no mês e o consumo cativo das distribuidoras de energia elétrica aumentou 6,4%. Essas taxas também foram influenciadas pelo efeito base baixa. Por abranger a quase totalidade da classe residencial, a única com desempenho positivo em abril do ano passado, o mercado cativo foi menos impactado.

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